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sexta-feira, 30 de março de 2012
segunda-feira, 26 de março de 2012
Legião Urbana e o baixista na rua
Legião Urbana marcou o final da minha infância e a minha puberdade. Nos anos 80 todo moleque curtia Legião. Eles cantavam sobre o que a gente sentia naquele caos econômico da era Sarney.
Hoje tem muita nostalgia dos anos 80, mas só quem viveu aqui no Brasil se lembra da instabilidade. O sonho de muita gente era crescer e se mandar para um canto qualquer na Europa ou nos EUA.
Já havia violência no final dos anos 80. Eu frequentemente visitava uma tia que morava na Tijuca próxima ao Morro do Salgueiro. Como o apartamento tinha varanda, a gente tinha uma visão privilegiada da favela, onde havia símbolos estranhos que pareciam de facções criminosas. Uma vez ouvi fogos e perguntei: “está tendo jogo, tia?” Na minha ingenuidade, eu achava que o foguetório era por causa de algum jogo de futebol. Minha tia idosa calmamente falou que era sempre desse jeito quando chegavam drogas no Morro.
Mesmo assim há uma grande nostalgia com relação àquele período. Parece que as músicas eram melhores, a TV era melhor e alguns dizem que até mesmo a moda do período era mais bonita. Só sei que ouço ainda muita coisa dos anos 80. De certa forma aquela foi uma época mais livre, em que o personagem principal de uma novela das oito aparecia fumando como se fosse uma coisa legal e a gente ouvia Whitesnake nas rádios.
Bom, só sei que o Legião Urbana marcou a época. Tocava em todos os lugares. Aqui em Brasília era uma coisa messiânica. Nunca ninguém tinha descrito o DF em músicas que tivessem feito tanto sucesso.
Acho o primeiro disco da Legião fantástico. Comprei no meu aniversário de 12 anos ainda em vinil na loja Discodil do Conjunto Nacional, em Brasília. Ouvi tanto que o bolachão ficou gasto. Também acho o DOIS muito bom. Mais tarde, quando fiz 16 anos, troquei os restos do vinil por alguma coisa de Heavy Metal.
Pois é, só sei que, embora a formação clássica da Legião tivesse Renato Russo, Renato Rocha, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, quem mandava mesmo era o Renato Russo. A gente tinha a nítida impressão que ele era o talento da banda com a sua dança esquisita estilo Joy Division e as suas letras que gritavam o que a adolescência sentia.
Pois é, depois do terceiro disco fui achando a Legião muito repetitiva. Eu me lembro da gente na escola dizendo que as letras eram legais para caramba, mas que as músicas eram todas muito iguais. Hoje em dia acho que era por causa da saída do Renato Rocha e das limitações do Dado e do Bonfá. Com o tempo aquilo me encheu e fui ouvir outras coisas, mas sempre achei os três primeiros discos da Legião ótimos. O que eu achava chatos, na minha mentalidade agitada de adolescente, eram os discos seguintes da banda.
E esses discos que eu achava os mais legais tinham muita coisa do Aborto Elétrico, banda seminal do Rock de Brasília. Também tinham a participação do início ao fim do baixista Renato Rocha.
Renato Rocha era um cara punk de Brasília que tocava baixo e que entrou na Legião para gravar o primeiro disco. Ficou até o terceiro disco.
Sei que muitas vezes as bandas colocam músicos de estúdio para gravar certos instrumentos no lugar dos integrantes do conjunto, mas não acho que esse seria o caso do Renato Rocha. O cara tinha linhas de baixo muito boas, mesmo. Faço questão de dizer que acho que ele era o melhor instrumentista do grupo. O Dado era um guitarrista mais ou menos e o Bonfá...Bom, deixa para lá!
Renato Rocha era o cara mais punk do grupo. Tem um vídeo dos caras no programa Perdidos na Noite e dá para ver a postura e o gosto punk do sujeito. Será que foi por isso que ele saiu? Tem uma entrevista em que o Dado diz que o cara faltava ensaio, perdia vôo. Ah, entendo... Mas então como nunca colocaram um baixista oficial no lugar dele?
O tempo passou. Ouvi falar que ele estaria tocando no Vernon Walters, não o general americano, mas sim uma banda punk de Brasília. Depois ele apareceu com o Finis Africae, que era uma banda interessante, bem pós-punk.
Depois o Renato Russo morreu de AIDS. Todo mundo ficou triste e foi pego de surpresa. A morte do Renato Russo não foi como a do Cazuza, cuja doença foi acompanhada pela imprensa. Ninguém nem sabia que o líder da Legião estava doente. Era como se um pedaço da infância e da adolescência de muita gente tivesse sido arrancado.
Eu lembro que estava num ônibus para a rodoviária do Plano Piloto em 1996, sim eu já era adulta e pegava o coletivo naquela época, e ouvi duas mulheres comentando sobre o falecimento do Renato Russo e o fim da Legião Urbana. Uma delas disse que ninguém falava do baixista que havia deixado o grupo anos antes. Ela perguntou para a outra se o nome dele não era Renato Rocha. Eu ouvi e fiquei pensativa. Depois o ônibus parou e eu tirei aquilo da cabeça.
Só sei que as músicas que eu realmente curtia da Legião eram da época do Renato Rocha. A banda perdeu o lado punk depois que ele saiu e som foi ficando mais e mais folk.
E hoje eu dou de cara com uma matéria dizendo que o cara estava morando nas ruas. Sei da fama que ele tinha de doidão, mas morar nas ruas é um pouco demais, afinal a grana dos direitos autorais deveria ser mais do que suficiente para ele manter um teto sobre a cabeça.
Na reportagem aparece o próprio Renato Rocha, que o pessoal chamava de Negrete, e o pai dele, que ainda mora em Brasília. Também aparecia o Phelippe Seabra, da Plebe Rude. Estranhamente nenhum dos outros membros sobreviventes da Legião apareceu para dar explicações, o que deixou muitas perguntas.
Por que a banda vendeu milhões de CD’s, tem suas músicas executadas até hoje, inclusive as que o Negrete tocava, e o cara mora como mendigo?
O ECAD mandou uma notinha explicando que ele ganhou mais de 100.000 reais num período de 10 anos, o que daria mais ou menos uns 900 reais por mês. Isso é estranho demais. Tem que ter uma auditoria, pois a gente está falando de música que esteve até mesmo em abertura de novela das nove no ano passado.
Todo mundo fala do ECAD, mas eu sei que o ECAD fiscaliza, recolhe a grana, e passa o dinheiro para a associação da qual o músico faça parte. Depois a associação passa para o músico. Não pude deixar de pensar a qual associação o Renato Rocha poderia ser filiado. Muitas dessas associações não são sérias. Tinha uma associação dessas picaretas aqui em Brasília que ficava numa sobreloja na 509 Sul.
Tudo isso é para se pensar.
Só sei que fiquei triste de ver um cara que tocava tão legal e que fez tanto sucesso jogado nas ruas. E qual a razão dele ter saído da Legião. Drogas? Ah, tudo bem. Vou fingir que acredito que os outros caras da Legião eram freiras nos anos 80 e que não tomavam nada. Vou também fingir que acredito que ele era o único que tomava drogas.
Isso tudo é triste. Muito triste. E o pior de tudo é que os sobreviventes da Legião, pessoas que não tiveram talento para se manter na música depois do falecimento do líder da banda, não falam nada e agem com arrogância. Ficou a impressão de que eles ganham mais pelas mesmas músicas do que o baixista que virou mendigo.
Ah, eu sei que eles ficaram com a banda até o final, mas a gente pouco os vê tocando por aí. Creio que não devam ganhar muito com cachês e que também vivam das glórias do passado.
Hoje tem muita nostalgia dos anos 80, mas só quem viveu aqui no Brasil se lembra da instabilidade. O sonho de muita gente era crescer e se mandar para um canto qualquer na Europa ou nos EUA.
Já havia violência no final dos anos 80. Eu frequentemente visitava uma tia que morava na Tijuca próxima ao Morro do Salgueiro. Como o apartamento tinha varanda, a gente tinha uma visão privilegiada da favela, onde havia símbolos estranhos que pareciam de facções criminosas. Uma vez ouvi fogos e perguntei: “está tendo jogo, tia?” Na minha ingenuidade, eu achava que o foguetório era por causa de algum jogo de futebol. Minha tia idosa calmamente falou que era sempre desse jeito quando chegavam drogas no Morro.
Mesmo assim há uma grande nostalgia com relação àquele período. Parece que as músicas eram melhores, a TV era melhor e alguns dizem que até mesmo a moda do período era mais bonita. Só sei que ouço ainda muita coisa dos anos 80. De certa forma aquela foi uma época mais livre, em que o personagem principal de uma novela das oito aparecia fumando como se fosse uma coisa legal e a gente ouvia Whitesnake nas rádios.
Bom, só sei que o Legião Urbana marcou a época. Tocava em todos os lugares. Aqui em Brasília era uma coisa messiânica. Nunca ninguém tinha descrito o DF em músicas que tivessem feito tanto sucesso.
Acho o primeiro disco da Legião fantástico. Comprei no meu aniversário de 12 anos ainda em vinil na loja Discodil do Conjunto Nacional, em Brasília. Ouvi tanto que o bolachão ficou gasto. Também acho o DOIS muito bom. Mais tarde, quando fiz 16 anos, troquei os restos do vinil por alguma coisa de Heavy Metal.
Pois é, só sei que, embora a formação clássica da Legião tivesse Renato Russo, Renato Rocha, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, quem mandava mesmo era o Renato Russo. A gente tinha a nítida impressão que ele era o talento da banda com a sua dança esquisita estilo Joy Division e as suas letras que gritavam o que a adolescência sentia.
Pois é, depois do terceiro disco fui achando a Legião muito repetitiva. Eu me lembro da gente na escola dizendo que as letras eram legais para caramba, mas que as músicas eram todas muito iguais. Hoje em dia acho que era por causa da saída do Renato Rocha e das limitações do Dado e do Bonfá. Com o tempo aquilo me encheu e fui ouvir outras coisas, mas sempre achei os três primeiros discos da Legião ótimos. O que eu achava chatos, na minha mentalidade agitada de adolescente, eram os discos seguintes da banda.
E esses discos que eu achava os mais legais tinham muita coisa do Aborto Elétrico, banda seminal do Rock de Brasília. Também tinham a participação do início ao fim do baixista Renato Rocha.
Renato Rocha era um cara punk de Brasília que tocava baixo e que entrou na Legião para gravar o primeiro disco. Ficou até o terceiro disco.
Sei que muitas vezes as bandas colocam músicos de estúdio para gravar certos instrumentos no lugar dos integrantes do conjunto, mas não acho que esse seria o caso do Renato Rocha. O cara tinha linhas de baixo muito boas, mesmo. Faço questão de dizer que acho que ele era o melhor instrumentista do grupo. O Dado era um guitarrista mais ou menos e o Bonfá...Bom, deixa para lá!
Renato Rocha era o cara mais punk do grupo. Tem um vídeo dos caras no programa Perdidos na Noite e dá para ver a postura e o gosto punk do sujeito. Será que foi por isso que ele saiu? Tem uma entrevista em que o Dado diz que o cara faltava ensaio, perdia vôo. Ah, entendo... Mas então como nunca colocaram um baixista oficial no lugar dele?
O tempo passou. Ouvi falar que ele estaria tocando no Vernon Walters, não o general americano, mas sim uma banda punk de Brasília. Depois ele apareceu com o Finis Africae, que era uma banda interessante, bem pós-punk.
Depois o Renato Russo morreu de AIDS. Todo mundo ficou triste e foi pego de surpresa. A morte do Renato Russo não foi como a do Cazuza, cuja doença foi acompanhada pela imprensa. Ninguém nem sabia que o líder da Legião estava doente. Era como se um pedaço da infância e da adolescência de muita gente tivesse sido arrancado.
Eu lembro que estava num ônibus para a rodoviária do Plano Piloto em 1996, sim eu já era adulta e pegava o coletivo naquela época, e ouvi duas mulheres comentando sobre o falecimento do Renato Russo e o fim da Legião Urbana. Uma delas disse que ninguém falava do baixista que havia deixado o grupo anos antes. Ela perguntou para a outra se o nome dele não era Renato Rocha. Eu ouvi e fiquei pensativa. Depois o ônibus parou e eu tirei aquilo da cabeça.
Só sei que as músicas que eu realmente curtia da Legião eram da época do Renato Rocha. A banda perdeu o lado punk depois que ele saiu e som foi ficando mais e mais folk.
E hoje eu dou de cara com uma matéria dizendo que o cara estava morando nas ruas. Sei da fama que ele tinha de doidão, mas morar nas ruas é um pouco demais, afinal a grana dos direitos autorais deveria ser mais do que suficiente para ele manter um teto sobre a cabeça.
Na reportagem aparece o próprio Renato Rocha, que o pessoal chamava de Negrete, e o pai dele, que ainda mora em Brasília. Também aparecia o Phelippe Seabra, da Plebe Rude. Estranhamente nenhum dos outros membros sobreviventes da Legião apareceu para dar explicações, o que deixou muitas perguntas.
Por que a banda vendeu milhões de CD’s, tem suas músicas executadas até hoje, inclusive as que o Negrete tocava, e o cara mora como mendigo?
O ECAD mandou uma notinha explicando que ele ganhou mais de 100.000 reais num período de 10 anos, o que daria mais ou menos uns 900 reais por mês. Isso é estranho demais. Tem que ter uma auditoria, pois a gente está falando de música que esteve até mesmo em abertura de novela das nove no ano passado.
Todo mundo fala do ECAD, mas eu sei que o ECAD fiscaliza, recolhe a grana, e passa o dinheiro para a associação da qual o músico faça parte. Depois a associação passa para o músico. Não pude deixar de pensar a qual associação o Renato Rocha poderia ser filiado. Muitas dessas associações não são sérias. Tinha uma associação dessas picaretas aqui em Brasília que ficava numa sobreloja na 509 Sul.
Tudo isso é para se pensar.
Só sei que fiquei triste de ver um cara que tocava tão legal e que fez tanto sucesso jogado nas ruas. E qual a razão dele ter saído da Legião. Drogas? Ah, tudo bem. Vou fingir que acredito que os outros caras da Legião eram freiras nos anos 80 e que não tomavam nada. Vou também fingir que acredito que ele era o único que tomava drogas.
Isso tudo é triste. Muito triste. E o pior de tudo é que os sobreviventes da Legião, pessoas que não tiveram talento para se manter na música depois do falecimento do líder da banda, não falam nada e agem com arrogância. Ficou a impressão de que eles ganham mais pelas mesmas músicas do que o baixista que virou mendigo.
Ah, eu sei que eles ficaram com a banda até o final, mas a gente pouco os vê tocando por aí. Creio que não devam ganhar muito com cachês e que também vivam das glórias do passado.
quinta-feira, 1 de março de 2012
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