Um belo dia eu abri a minha página no facebook e dei de
cara com uma foto mais ou menos interessante, mas que me chamou pouco a atenção:de um lado estava uma mulher atlética que parecia a Maurren
Maggi do salto triplo das olimpíadas.
Havia três crianças com ela, seus filhos. A foto dela tinha uma legenda: “what’s your excuse?” (qual a sua desculpa?). Obviamente devia se tratar de algum incentivo a atividades físicas ou propaganda de academia.
Havia três crianças com ela, seus filhos. A foto dela tinha uma legenda: “what’s your excuse?” (qual a sua desculpa?). Obviamente devia se tratar de algum incentivo a atividades físicas ou propaganda de academia.
Que bom para a jovem mãe! Ela é atlética e consegue ter
uma barriga tanquinho mesmo após uma penca de filhos.
Acontece que depois apareceu uma montagem dessa
fotografia com outra que era de uma mulher com a barriga flácida após muitos
partos. A mulher não era feia. Seu rosto era bonito e ela parecia saudável. Ao
seu redor havia também três crianças. A legenda dela: “My escuse is that I’m OK with it!” (estou
OK com isso!)
Bom, lamento lhe informar, mãe bonitinha cuja barriga
está justificadamente flácida após vários partos, mas você se importa. Sim,
você se importa! Se você não se importasse, você não se daria ao trabalho de
tirar uma foto na mesma pose da atleta, juntar a molecada ao seu redor, botar
uma legenda, fazer a montagem das duas fotos juntas, e colocar no facebook!
Se você não se importasse, ela faria como eu e pensaria
“bom para ela” e não olharia aquela fotografia mais de uma vez.
Obviamente, houve alguns blogs com textos criticando
padrões de beleza feminino “inalcançáveis” e “midiáticos” e exaltando a atitude
da mãe que não era atlética. Deve ter
havido algum blog falando de opressão masculina, mas eu ainda não vi.
Interessantíssimo, até por que aquele padrão sarado e
magro não é padrão de beleza no Brasil! Não é, não!
Olhe a TV! Faça um
sacrifício e dê uma olhadinha naquele programa horrível: Pânico Na Band. Faça
mais e olhe o BBB. Capaz de você ter um troço, pois o programa é ruim. Dê uma
sacada nas mulheres. Olhe a mulherada semi-nua no Carnaval. O padrão sarada e seca
não é o padrão de beleza no Brasil.
O padrão de beleza da mulher brasileira é a mulher
bombada. É malhar pesado, mas não ser seca. Não é inalcançável. Basta malhar
todo dia uma hora e meia e tomar umas coisinhas que façam com que a celulite
suma e a musculatura aumente. Essas substâncias podem deixar a mulher com voz
grossa e mais pelos, mas os caras curtem.
Esse padrão bombado também inclui vestido “abajur de xoxota” e muito silicone, mas muito silicone.
Esse padrão bombado também inclui vestido “abajur de xoxota” e muito silicone, mas muito silicone.
A “bombada do silicone”, que parece ter saído da
revistinha do Conan – O Bárbaro, é um dos principais padrões midiáticos de beleza feminina.
O outro padrão é o da extrema magreza, estilo capa de
revista de moda. É simples alcançar esse padrão, basta não comer, mesmo que
tenha acesso à comida boa. Esse padrão às vezes inclui silicone em menos
quantidade e um aspecto meio triste, típico de modelo de passarela.
Não existe o padrão sarada e magra no Brasil. Aliás, isso
nem existe no mundo. A atleta da foto não se enquadra em nenhum padrão. Ela
possivelmente só quer que você se matricule na academia dela.
Assim, é risível ter tanto texto sobre “padrão midiático”
com relação a uma foto de uma mulher malhada e atlética, a qual deve ser uma professora
de educação física que não tem cara de usar “coisinhas” que a deixem bombada.
A atleta também
não aparentava ter próteses de silicone, pois isso a gente vê logo. Hoje em dia
qualquer “gostosa” parece ter um par de bolas de handebol no lugar dos peitos. Padrão
midiático é ter peitão de formato não exatamente humano.
Por outro lado, há que se ressaltar que todas as culturas
têm padrões estéticos para mulheres. Sei de muitos padrões estéticos para
homens também. Portanto não há que se ter raiva da existência de “padrões”,
pois eles sempre existiram. Qualquer um pode ser feliz sem se enquadrar neles.
Por exemplo: na
Índia e no Oriente Médio homem tem que ter bigode! Um homem sem barba ou
bigode é “imaturo”.
Outros exemplos: as mulheres-girafa da Indonésia têm
pescoços compridos e troncos curtos, as chinesas de uns cem anos atrás deformavam
os pés para caberem em sapatos minúsculos, e as mulheres do Oriente Médio não
são consideradas bonitas se forem magras (elas têm que “ser cheias de corpo”).
Toda cultura têm padrões. A questão é não se importar com
eles se eles incomodam.
Enquadrar-se em
padrões estéticos significa somente ter mais facilidade em encontrar um
parceiro sexual. Sim, é assim que funciona no Reino Animal.
Isso não significa, entretanto, que pessoas “bonitas” transem mais, mas só que ser bonito facilita conhecer alguém para transar.
Isso não significa, entretanto, que pessoas “bonitas” transem mais, mas só que ser bonito facilita conhecer alguém para transar.
Ah, agora eu fui sincera!
Os homens, ao contrário das mulheres, não são tão ligados
em padrões estéticos. Eles tampouco se sentem complexados se os pôsteres de
propagandas colocam homens magros e bem definidos. O homem não está nem aí para
isso e muitas vezes ri de sua própria barriga.
Por que a gente que é mulher não pode ser igual a eles? Será que é difícil imitá-los nesse aspecto mais leve da personalidade masculina?
Por que a gente que é mulher não pode ser igual a eles? Será que é difícil imitá-los nesse aspecto mais leve da personalidade masculina?
Só sei que estou relaxada com os “padrões” e não me
incomodo com eles. Vou fazer igual aos homens e ficar feliz. Ao invés de ficar
olhando as modelos magérrimas nas passarelas, eu vou sacar o que elas usam e
fazer piada do design de um e outro estilista.
Que se dane se a mulher não se encaixa em padrões estéticos!
Uma pessoa não será condenada à morte no nosso país se isso acontecer.
Portanto, mãe bonitinha cuja barriga está justificadamente flácida, deixa a atleta ser
feliz e não fica enchendo o saco. Uma pessoa que não se importa não faria
aquela foto. Quem não se importa, não liga para fotos.
E, mãe bonitinha, faça um cursinho de
Photoshop. Isso abre a mente e ensina muito sobre padrões estéticos.