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quarta-feira, 14 de novembro de 2012
sábado, 10 de novembro de 2012
sexta-feira, 13 de julho de 2012
segunda-feira, 9 de julho de 2012
A MORTE DO ROCK
Passei os últimos 20 anos da minha vida tocando Rock .
Toquei várias vertentes, de Gótico à Heavy Metal, passando por Pop, Indie, e
mais qualquer outro estilo que se pensar.
Tenho experiência de estúdio, sendo que gravei pela primeira
vez com uma banda de Rock Clássico chamada Black Jack. Foi uma gravação ao vivo
de ensaio com a banda inteira. Foi tosco, mas valeu a experiência.
Pois bem, eu cheguei à conclusão que NÃO VALE À PENA TOCAR
ROCK NO DF OU NO BRASIL. Sabe por que? As pessoas NÃO curtem rock.
Eu cresci vendo filmes da Sessão da Tarde nos anos 80, tipo
Goonies e assemelhados, e eu achava que se uma coisa fosse boa o povo iria
gostar. Eu tinha aquele negócio do sonho americano dentro de mim (no mal
sentido) e achava que um dia faria um grande sucesso, ou que pelo menos tivesse
algum reconhecimento só por que tenho talento e uma paixão doida por música.
Esse sonho americano existe entre vários de nós brasileiros, haja vista filmes
com Os Dois Filhos de Francisco, em que Zezé e o seu parasita Luciano alcançam
grande sucesso pelo simples fato de terem talento e um pai maluco que pagava
fichas telefônicas para que os peões de obra a ele submetidos (creio que seu
Francisco tenha sido Mestre de Obras) ligassem pedindo a música na rádio. Pois
é, eu cresci acreditando nessa versão brasileira do sonho americano, aquele
lance “tente outra vez” ou “eu sou brasileiro e não desisto nunca” que é uma
adaptação mais dramática do Sonho Americano para os trópicos.
Hoje eu vejo que isso é impossível.
As pessoas não curtem rock. Não adianta você tocar, cantar e
compor. Não adianta se você fizer tudo bem. O que adianta é o que algum czar da
indústria fonográfica vai decidir que virará moda. Daí eles criam alguma
“maravilha de um hit só”, enchem o rabo de grana, exploram o artista ingênuo do
“tchu tchá” ou “tchererererê” ao máximo, e partem para uma nova maravilha de um
hit só.
É tudo lixo. Antigamente havia espaço para coisas que
prestassem. Hoje o espaço é mínimo, a não ser que você seja um daqueles
medalhões da MPB ou uma diva lésbica que pretenda ser uma reencarnação da
Cássia Eller. Ah, se você for apadrinhada do Nelson Motta é melhor ainda.
Eu me lembro do Cazuza tocando nas rádios. Eu admirava o
cara, mas sentia muita tristeza em suas músicas. Eu ouvia Legião indo para a
escola no rádio do carro da minha mãe, assim como ouvia Guns’n’Roses enquanto
passeava em um shopping da Tijuca em 1989 (shopping 45, não faço idéia se ainda
existe). As pessoas curtiam The Smiths e Cindy Lauper, havia as músicas de
duplo sentido do Luís Caldas e da Sarajane, mas havia outras coisas também. Até
o “Axé Music” era algo menos repetitivo e bem mais criativo.
A economia estava em uma recessão horrível e não havia
muitas esperanças de que a situação melhorasse. Vivíamos em um período de
hiperinflação em que o dinheiro perdia cerca de 30% de seu valor a cada mês.
Era Sarney, a era de horror econômico e caos, mas não na música. Havia muita
música boa.
Sei que a indústria fonográfica está em crise e que os
executivos e demais formadores de opinião querem ganhar grana certa, mas será
que a produção de músicas onomatopéicas com cantores feios e sem talento dá
tanta grana assim? Será que não vale a pena tentar algo de diferente.
Pois bem, eu visualizei essa dura realidade na pele quando
fui cantar em um evento em uma cidade-satélite de Brasília. O set-list incluía
5 músicas, só consegui executar 3. Os técnicos de som desta “feira” ou “festa”
eram empregados da banda de forró que viria a seguir. Eles só me deixaram levar
3 músicas e cortaram meu microfone, o que nem me deu tempo de me despedir do
público.
Foi duro, foi horrível. E olha que eu sou mais bonita ,
canto bem melhor e toco mais que qualquer um dos músicos da banda de forró. Mas
o fato de eu ser bonitinha e cantar bem não importou para o público, que estava
interessado no forró “atochado” com um dançarino exótico que se assemelhava ao
Chapolin Colorado. Sério, tinha um sujeito vestido de vermelho alaranjado
fazendo passos esdrúxulos acompanhado de umas meninas bonitinhas. Tudo bem
colocar dançarinas, mas precisava daquele Chapolin chamativo?
Nada contra forró, mas expulsar do palco quem estava na
frente e que NÃO HAVIA SIDO CULPADO PELO ATRASO é horrível . Eu só precisava de
mais dez minutos.
Na minha humilde cabeça cheia de novelas das 8 dos anos
80(antes a novela começava às 8:30) e filmes sobre o “Sonho Americano” ou
“Drama de Brasileiro Que Não Desiste Nunca” eu achava que o público iria me dar
chance de tocar e de entreter simplesmente por que eu toco bem. Ledo engano.
Não é isso o que ocorre. Os caras da banda de forró não
estavam nem aí para o fato de eu estar esperando ali há horas para tocar ou que
eu tinha atravessado o Distrito Federal inteiro atrás de uma bateria. Eles me
expulsaram do palco, só isso.
O público era mínimo e poucos curtiram, até porque o público
queria um forró “atochado” de ralar perna com perna até um masturbar o outro no
meio de tanta ralação. Eu não tenho nada contra masturbação, mas creio que
deveria haver mais espaço para músicas que não envolvam danças eróticas.
Falando em espaço, devo dizer que não há espaço para bons
músicos. Não há espaço para quem seja bom, independentemente de estilo. Há
espaço somente para empresários que criam bandas de laboratório e que tocam
estilos que eles decidem que devem ser lucrativos no futuro. É uma ditadura,
pois uns poucos czares decidem o que todo o mundo vai ouvir.
Fiquei arrasada e cheguei a minha casa em choque. Nós não
havíamos nem recebido o cachê e a “posição de honra” para que tocássemos todo o
set-list nos foi negada. Alguns dos envolvidos na produção (não os forrozeiros)
haviam insistido para que tocássemos e prometeram uma “posição de honra”.
Mentira deles.
Os outros músicos da banda ficaram felizes e eu fiquei
triste. Não haviam sido eles que haviam cantado e sentido a reação do público. Naquele
momento da expulsão eu realizei que ninguém mais faz Rock no Brasil.
O Rock nunca foi bem visto no Brasil, tanto que músicos e
fãs do estilo sempre foram meio marginalizados. Recentemente descobri que houve
uma passeata ridícula de 1967 capitaneada pela Elis e pelo Edu Lobo contra a
guitarra elétrica. Jair Rodrigues estava na passeata e Gil também, todos contra
a “invasão ianque da guitarra”. Caetano e Nara Leão viram tudo de longe e ficaram
chocados. Nara Leão chegou a dizer que parecia uma “passeata integralista”.
Por que tanto preconceito contra um instrumento legal de
seis cordas? Que merda é essa? Tudo bem, sei que Elis depois se rendeu ao uso
da guitarra posteriormente e que o filho do Jair Rodrigues foi estudar na
Berklee School Of Music em Boston (é, a família Rodrigues tem alguém de seu clã
graduado pela universidade de música americana),
mas isso demonstra a idéia dos czares de que a MPB é algo sacrossanto,
puramente brasileiro, e que a guitarra deve ser banida. Esse pensamento ridículo
ainda existe.
E a guitarra está associada ao Rock e o Rock está associado
a alguma xenofobia ridícula contra os Americanos. Tudo bem que os EUA fazem
altas merdas no mundo, mas a gente tem que admitir que há muita música boa por
ali. E tudo isso é idéia dos czares da música no Brasil, que influenciam o
povo. Daí o povo odeia Rock e guitarra.
É. O preconceito contra o Rock vem de longe, implantado no
inconsciente coletivo da população.
Houve um breve período em que os czares mostravam Rock para
o povo, assim como vários outros estilos criativos. Depois eles decidiram QUE
NÃO VALIA A PENA MOSTRAR O ROCK PARA O POVO.
Eu senti isso na pele, e olha que não foi a primeira vez. Há
uns três anos fui tocar na feira da lua em Sobradinho. Eles me deixaram tocar 2
músicas, sem cachê, e eu fui quase que expulsa do palco para que uma dupla de
eletro-sertanejo tocasse. Já viram eletro-sertanejo? É sertanejo com um
tecladinho e bateria eletrônica, sem nenhum outro instrumento. É aquela batida
de bateria que já vem no teclado quando você compra. Música de churrascaria é
melhor que isso.
Essas duas experiências me marcaram, pois aprendi que não
vale a pena tocar ou cantar bem se você não é “produzido em laboratório” por
algum desses tiranos da indústria musical. Eles pegam alguém, colocam na forma,
exploram o artista, e enchem o rabo de grana. Não há espaço para nada que não
seja pré-fabricado.
Eu não fui pré-fabricada. Eu aprendi a tocar sozinha
estudando, ouvindo música, e lendo. A música flui de mim naturalmente. Não sei
nem como eu poderia ser moldada por um desses czares numa dessas formas. É
foda. Fazer o quê?
Pois é, o Sonho Americano adaptado aos trópicos não existe
mais, e não vale a pena tocar Rock para uma platéia de surdos. Tocar Rock no
Brasil, ou pelo menos em Brasília, não vale a pena. Eu fico pensando se
realmente vale à pena você tocar o que quer que seja num país onde tudo o que é
feito e consumido é pré-fabricado num universo de músicas onomatopéicas de
artistas medíocres. E olha que nem tocando covers da Adele eles conseguem
disfarçar a falta de talento. Ah, mas eles não têm talento, eles têm alguém
poderoso por trás, bem por trás (falei no segundo sentido, mesmo)
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terça-feira, 5 de junho de 2012
COMO NÃO AFUNDAR UMA BANDA DE ROCK
COMO NÃO AFUNDAR UMA BANDA DE ROCK
Estes conselhos são baseados em minha experiência de uns 18 anos tocando em bandas e mais de vinte anos tocando violão/guitarra. Eu não sou tão velha, mas comecei a tocar violão ao 9 anos (era uma porcaria chamada Rei dos Violões LTDA, também conhecido como Tonante –ECA) e desde 95 ou 96 venho quebrando a cara com bandas. Aprendi muito tocando no underground de Brasília, especialmente no que diz respeito ao relacionamento com pessoas de uma mesma equipe/banda. Por outro lado, aprendi pouquíssimo sobre música.
Sobre música aprendi mais é gravando e lendo, mas aí é matéria para outro artigo.
Vou numerar meus conselhos para os mais jovens, aí vão:
1. Nunca, mas NUNCA, entre em uma banda de Rock em que o dono/líder ache que Black Sabbath sem Ozzy é New Wave.
Razão: o cara não sabe quem é Ronnie James Dio (se você curte Sabbath você é OBRIGADO a saber quem era ). O sujeito é um poser que não entende de Rock. Nunca confie em alguém que coloque rótulos naquilo que não conheça.
Qualquer um que ache o Sabbath remotamente se equipare a New Wave é um retardado. Ignore a pessoa. Um fã de rock de verdade nunca falaria tal sandice.
2. Nunca, mas nunca, toque com quem é muito ruim.
Isso é péssimo. Às vezes a gente entra em uma banda de amigos e tem algum super gente boa que é terrível como músico. Por mais que essa pessoa seja maravilhosa, ela sempre prejudicará a banda.
Caso você realmente queira que a pessoa participe da banda, dê um pandeirinho para ele tocar no fundo, peça para ela fazer backing vocals bem baixinho ou algo em que a falta de conhecimento musical dela não seja notada.
Exemplo: a banda Happy Mondays queria que o seu traficante (eles eram todos doidões) participasse do show. O sujeito não sabia tocar nada, então eles deram um chocalho para ele ficar balançando no palco enquanto fazia uma dancinha esquisita. A falta de talento dele não prejudicou a banda musicalmente.
3. Evite tipinhos que falam muito, mas não fazem nada de relevante.
Saca o sujeito que se diz produtor mas não entra em estúdio há uns 25 anos ou o carinha que se diz compositor mas que só toca músicas de outras pessoas? Esses tipos não acrescentam em nada e só gostam de aparecer. Gente que só gosta de aparecer pode ser boa para bandas cover bem chamativas, especialmente se eles têm presença de palco. E só.
4. Cuidado com o pessoal que é viciado em drogas pesadas.
Às vezes são excelentes músicos, mas normalmente eles não têm controle sobre si. Não dá para confiar neles. Eles perdem ensaios, às vezes furtam coisas dos outros, etc. Se o cara cheira cocaína, cuidado. Não estamos nos anos 70 e fazer isso não é mais considerado normal. É o tipo que perde ensaios, shows, e some quando você mais precisa.
5. Se um dos músicos da banda for do tipo que embolsa o cachê e não repassa a parte que cabe para cada um, jamais toque com ele.
A pessoa é uma fdp e você não vai querer tocar com ela. O cara que faz isso com 50 reais também vai fazer isso com cachês maiores. Isso vale para músicos de qualquer estilo, sertanejo, axé, death metal, punk, rock, o que for.
6. Se houver um erro em um ensaio, pare tudo e veja onde errou. Ensaios são para isso.
7. Se alguém ficar com cara emburrada nos ensaios, pergunte o porquê.
É chato quando alguém fica com cara de bunda o tempo todo, não fala nada, e depois some. Pergunte o porquê da insatisfação da pessoa. Deixar a pessoa tocando com a cara feia até sumir vai dar problema.
8. Evite tiranos.
Se o cara não tiver a voz do Coverdale ou o talento do Malmsteen, ele não tem o direito de ser tirano. É o tipo de gente que entra no seu mural do facebook cobrando que você pegue a música “x” ou “y” de maneira bem babaca. Se ele não te paga ele não tem o direito de fazer isso.
Exemplo: coloquei um vídeo do Deep Purple dizendo que iria pegar aquele solo no meu mural do Facebook. O líder de uma das bandas bandas em que toquei invadiu meu mural chamando a minha atenção e dizendo para eu pegar outra coisa de forma levemente grosseira, como se fosse um professor ou um chefe de repartição. Em primeiro lugar, eu nem ia mesmo pegar o solo do Deep Purple, eu estava tirando onda. Em segundo lugar, o líder da banda não era o meu chefe e não me pagava salário. A nossa banda era para a gente se divertir e ele não tinha razão para ficar com tantas cobranças. Se houver muitas cobranças para um evento lúdico, de diversão, largue o projeto. Só quem pode te cobrar é o teu chefe, ou seja, QUEM PAGA O SEU SALÁRIO.
9. Veja se o esforço que você vai despender em uma banda compensa de alguma forma.
Existem duas formas de compensar o seu tempo e o seu esforço. A primeira é com cachê. Às vezes o cachê é tão bom que compensa um líder babaca. Mas como normalmente bandas de Rock underground não recebem cachês, fuja do projeto nessa hipótese. A segunda é gratificação pessoal. Se você está gastando seu tempo com um projeto cheio de gente legal e que toca bem, talvez o seu tempo e seu esforço sejam compensados. Então você tem quatro coisas para focar: esforço, tempo, grana e gratificação pessoal. É muito tempo para pouca gratificação pessoal? É muito esforço para pouca grana? Você tem que ter algum tipo de recompensa, que seja se divertir muito em um show, mas você tem que ter.
Por exemplo: o show em que eu mais me diverti foi em 98, num tributo ao Black Sabbath. Não ganhei um tostão, mas o público delirou e nós da banda também. Foi como um barato sem álcool ou drogas. Ficamos eletrizados depois do show e a galera curtiu muito. Até hoje eu gostaria de reprisar isso, mas ainda não consegui. Não ganhei nada de dinheiro, mas fui muito bem tratada, toquei com grandes músicos e o público curtiu com a gente as ótimas músicas que tocávamos.
10. Ainda no mesmo sentido, veja com quem você vai tocar e onde.
Já aconteceu de eu tocar em uma feira agropecuária sem saber. Eu toco Rock e o povo só queria ouvir sertanejo. Havia galinhas vivas sendo vendidas no local e um monte de peões montados a cavalo no melhor estilo Country. Eu me dei mal, muito mal. Cantei bem mas, mesmo assim, quase foi expulsa do palco. Definitivamente: NÃO VALEU A PENA. Fico pensando se teriam me tratado melhor se eu tivesse usado um chapéu de caubói!
11. Evite cantores DIVAS.
Se o cara é muito metido e não canta no nível de um Coverdale ou do Robert Plant, esqueça. A gente já tem que lidar com gente chata na rua e no trabalho, agüentar tipos similares em bandas é doloroso. Você tem que ter muito, MAS MUITO talento, para ter pose. Se não tiver, lembre-se que você vai para debaixo da terra como todo mundo e se recolha a sua insignificância.
12. Evite tipos que não enxergam os próprios erros.
Esses são os piores, principalmente quando acham que você é que errou. A gente já tem que normalmente agüentar pessoas similares no trabalho, agüentar em bandas é ruim demais.
13. Evite invejosos.
Se alguém lhe inveja só porque você chegou no ensaio com um equipamento novo, saia da banda. Todo mundo tem direito de ter equipamento bom e isso só acrescenta para o som. Se alguém fica com raiva por isso, essa pessoa é um idiota. Retire ele da banda ou saia. Não toque com essa pessoa.
14. Não toque em bandas em que um ou dois integrantes sejam ex-namorados.
Vai dar uma briga feia. Uma das minhas primeiras bandas acabou por causa disso e quase teve um combate de UFC em um ensaio.
15. Se alguém da banda dá em cima da vocalista ou de outra garota do conjunto que tenha namorado, isso vai dar uma briga feia.
Você pode ser afetado sem ter nada a ver com a história. Cuidado!
16. Não fique pedindo muitas desculpas, mesmo que tenha errado.
Fale um simples “foi mal” ou “desculpa, vou repetir”, mas não se humilhe. Um “deixa eu fazer de novo” discreto basta. Se você se humilhar, alguém vai lhe pisar.
17. Se o pessoal não quer conversar, então a banda não vai dar certo.
Se o líder da banda não ouve os outros músicos, a banda vai fracassar.
Bom, esses são os meus conselhos básicos. Umas pessoas podem ficar raiva, outras não, mas a verdade é essa.
Eu acho que muitas bandas poderiam ter continuado se tivessem tido cuidado com algum desses aspectos que descrevi. Uma banda é uma equipe em que cada um tem o seu papel, se a pessoa não exerce direito, não toque com ela. Simples assim.
Muita gente pode ficar com raiva de mim, mas eu só descrevo a minha experiência de anos de estrada. Todo mundo que toca já passou por situações parecidas e, se a gente não tomar cuidado, isso acaba com o conjunto e deprime os músicos. Há pessoas que largam a música por conta de coisas desse tipo.
Nós músicos temos que compreender que uma banda é uma equipe e os músicos têm que saber gerenciar o projeto. Talvez tocar num evento longe de casa valha a pena por que o cachê é legal, mas será que o produtor vai te pagar mesmo? Faça um contrato, assine algo que lhe dê garantias. Uma música é feita em um ensaio. Quem é que vai receber o crédito, o sujeito que chegou com a idéia ou a banda inteira? Essas coisas têm que ser discutidas para não gerar mágoas que levam a inimizades.
Bom, espero que isso sirva para o mais jovens que estão começando a formar bandas por aí. Abraços galera.
sexta-feira, 30 de março de 2012
segunda-feira, 26 de março de 2012
Legião Urbana e o baixista na rua
Legião Urbana marcou o final da minha infância e a minha puberdade. Nos anos 80 todo moleque curtia Legião. Eles cantavam sobre o que a gente sentia naquele caos econômico da era Sarney.
Hoje tem muita nostalgia dos anos 80, mas só quem viveu aqui no Brasil se lembra da instabilidade. O sonho de muita gente era crescer e se mandar para um canto qualquer na Europa ou nos EUA.
Já havia violência no final dos anos 80. Eu frequentemente visitava uma tia que morava na Tijuca próxima ao Morro do Salgueiro. Como o apartamento tinha varanda, a gente tinha uma visão privilegiada da favela, onde havia símbolos estranhos que pareciam de facções criminosas. Uma vez ouvi fogos e perguntei: “está tendo jogo, tia?” Na minha ingenuidade, eu achava que o foguetório era por causa de algum jogo de futebol. Minha tia idosa calmamente falou que era sempre desse jeito quando chegavam drogas no Morro.
Mesmo assim há uma grande nostalgia com relação àquele período. Parece que as músicas eram melhores, a TV era melhor e alguns dizem que até mesmo a moda do período era mais bonita. Só sei que ouço ainda muita coisa dos anos 80. De certa forma aquela foi uma época mais livre, em que o personagem principal de uma novela das oito aparecia fumando como se fosse uma coisa legal e a gente ouvia Whitesnake nas rádios.
Bom, só sei que o Legião Urbana marcou a época. Tocava em todos os lugares. Aqui em Brasília era uma coisa messiânica. Nunca ninguém tinha descrito o DF em músicas que tivessem feito tanto sucesso.
Acho o primeiro disco da Legião fantástico. Comprei no meu aniversário de 12 anos ainda em vinil na loja Discodil do Conjunto Nacional, em Brasília. Ouvi tanto que o bolachão ficou gasto. Também acho o DOIS muito bom. Mais tarde, quando fiz 16 anos, troquei os restos do vinil por alguma coisa de Heavy Metal.
Pois é, só sei que, embora a formação clássica da Legião tivesse Renato Russo, Renato Rocha, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, quem mandava mesmo era o Renato Russo. A gente tinha a nítida impressão que ele era o talento da banda com a sua dança esquisita estilo Joy Division e as suas letras que gritavam o que a adolescência sentia.
Pois é, depois do terceiro disco fui achando a Legião muito repetitiva. Eu me lembro da gente na escola dizendo que as letras eram legais para caramba, mas que as músicas eram todas muito iguais. Hoje em dia acho que era por causa da saída do Renato Rocha e das limitações do Dado e do Bonfá. Com o tempo aquilo me encheu e fui ouvir outras coisas, mas sempre achei os três primeiros discos da Legião ótimos. O que eu achava chatos, na minha mentalidade agitada de adolescente, eram os discos seguintes da banda.
E esses discos que eu achava os mais legais tinham muita coisa do Aborto Elétrico, banda seminal do Rock de Brasília. Também tinham a participação do início ao fim do baixista Renato Rocha.
Renato Rocha era um cara punk de Brasília que tocava baixo e que entrou na Legião para gravar o primeiro disco. Ficou até o terceiro disco.
Sei que muitas vezes as bandas colocam músicos de estúdio para gravar certos instrumentos no lugar dos integrantes do conjunto, mas não acho que esse seria o caso do Renato Rocha. O cara tinha linhas de baixo muito boas, mesmo. Faço questão de dizer que acho que ele era o melhor instrumentista do grupo. O Dado era um guitarrista mais ou menos e o Bonfá...Bom, deixa para lá!
Renato Rocha era o cara mais punk do grupo. Tem um vídeo dos caras no programa Perdidos na Noite e dá para ver a postura e o gosto punk do sujeito. Será que foi por isso que ele saiu? Tem uma entrevista em que o Dado diz que o cara faltava ensaio, perdia vôo. Ah, entendo... Mas então como nunca colocaram um baixista oficial no lugar dele?
O tempo passou. Ouvi falar que ele estaria tocando no Vernon Walters, não o general americano, mas sim uma banda punk de Brasília. Depois ele apareceu com o Finis Africae, que era uma banda interessante, bem pós-punk.
Depois o Renato Russo morreu de AIDS. Todo mundo ficou triste e foi pego de surpresa. A morte do Renato Russo não foi como a do Cazuza, cuja doença foi acompanhada pela imprensa. Ninguém nem sabia que o líder da Legião estava doente. Era como se um pedaço da infância e da adolescência de muita gente tivesse sido arrancado.
Eu lembro que estava num ônibus para a rodoviária do Plano Piloto em 1996, sim eu já era adulta e pegava o coletivo naquela época, e ouvi duas mulheres comentando sobre o falecimento do Renato Russo e o fim da Legião Urbana. Uma delas disse que ninguém falava do baixista que havia deixado o grupo anos antes. Ela perguntou para a outra se o nome dele não era Renato Rocha. Eu ouvi e fiquei pensativa. Depois o ônibus parou e eu tirei aquilo da cabeça.
Só sei que as músicas que eu realmente curtia da Legião eram da época do Renato Rocha. A banda perdeu o lado punk depois que ele saiu e som foi ficando mais e mais folk.
E hoje eu dou de cara com uma matéria dizendo que o cara estava morando nas ruas. Sei da fama que ele tinha de doidão, mas morar nas ruas é um pouco demais, afinal a grana dos direitos autorais deveria ser mais do que suficiente para ele manter um teto sobre a cabeça.
Na reportagem aparece o próprio Renato Rocha, que o pessoal chamava de Negrete, e o pai dele, que ainda mora em Brasília. Também aparecia o Phelippe Seabra, da Plebe Rude. Estranhamente nenhum dos outros membros sobreviventes da Legião apareceu para dar explicações, o que deixou muitas perguntas.
Por que a banda vendeu milhões de CD’s, tem suas músicas executadas até hoje, inclusive as que o Negrete tocava, e o cara mora como mendigo?
O ECAD mandou uma notinha explicando que ele ganhou mais de 100.000 reais num período de 10 anos, o que daria mais ou menos uns 900 reais por mês. Isso é estranho demais. Tem que ter uma auditoria, pois a gente está falando de música que esteve até mesmo em abertura de novela das nove no ano passado.
Todo mundo fala do ECAD, mas eu sei que o ECAD fiscaliza, recolhe a grana, e passa o dinheiro para a associação da qual o músico faça parte. Depois a associação passa para o músico. Não pude deixar de pensar a qual associação o Renato Rocha poderia ser filiado. Muitas dessas associações não são sérias. Tinha uma associação dessas picaretas aqui em Brasília que ficava numa sobreloja na 509 Sul.
Tudo isso é para se pensar.
Só sei que fiquei triste de ver um cara que tocava tão legal e que fez tanto sucesso jogado nas ruas. E qual a razão dele ter saído da Legião. Drogas? Ah, tudo bem. Vou fingir que acredito que os outros caras da Legião eram freiras nos anos 80 e que não tomavam nada. Vou também fingir que acredito que ele era o único que tomava drogas.
Isso tudo é triste. Muito triste. E o pior de tudo é que os sobreviventes da Legião, pessoas que não tiveram talento para se manter na música depois do falecimento do líder da banda, não falam nada e agem com arrogância. Ficou a impressão de que eles ganham mais pelas mesmas músicas do que o baixista que virou mendigo.
Ah, eu sei que eles ficaram com a banda até o final, mas a gente pouco os vê tocando por aí. Creio que não devam ganhar muito com cachês e que também vivam das glórias do passado.
Hoje tem muita nostalgia dos anos 80, mas só quem viveu aqui no Brasil se lembra da instabilidade. O sonho de muita gente era crescer e se mandar para um canto qualquer na Europa ou nos EUA.
Já havia violência no final dos anos 80. Eu frequentemente visitava uma tia que morava na Tijuca próxima ao Morro do Salgueiro. Como o apartamento tinha varanda, a gente tinha uma visão privilegiada da favela, onde havia símbolos estranhos que pareciam de facções criminosas. Uma vez ouvi fogos e perguntei: “está tendo jogo, tia?” Na minha ingenuidade, eu achava que o foguetório era por causa de algum jogo de futebol. Minha tia idosa calmamente falou que era sempre desse jeito quando chegavam drogas no Morro.
Mesmo assim há uma grande nostalgia com relação àquele período. Parece que as músicas eram melhores, a TV era melhor e alguns dizem que até mesmo a moda do período era mais bonita. Só sei que ouço ainda muita coisa dos anos 80. De certa forma aquela foi uma época mais livre, em que o personagem principal de uma novela das oito aparecia fumando como se fosse uma coisa legal e a gente ouvia Whitesnake nas rádios.
Bom, só sei que o Legião Urbana marcou a época. Tocava em todos os lugares. Aqui em Brasília era uma coisa messiânica. Nunca ninguém tinha descrito o DF em músicas que tivessem feito tanto sucesso.
Acho o primeiro disco da Legião fantástico. Comprei no meu aniversário de 12 anos ainda em vinil na loja Discodil do Conjunto Nacional, em Brasília. Ouvi tanto que o bolachão ficou gasto. Também acho o DOIS muito bom. Mais tarde, quando fiz 16 anos, troquei os restos do vinil por alguma coisa de Heavy Metal.
Pois é, só sei que, embora a formação clássica da Legião tivesse Renato Russo, Renato Rocha, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, quem mandava mesmo era o Renato Russo. A gente tinha a nítida impressão que ele era o talento da banda com a sua dança esquisita estilo Joy Division e as suas letras que gritavam o que a adolescência sentia.
Pois é, depois do terceiro disco fui achando a Legião muito repetitiva. Eu me lembro da gente na escola dizendo que as letras eram legais para caramba, mas que as músicas eram todas muito iguais. Hoje em dia acho que era por causa da saída do Renato Rocha e das limitações do Dado e do Bonfá. Com o tempo aquilo me encheu e fui ouvir outras coisas, mas sempre achei os três primeiros discos da Legião ótimos. O que eu achava chatos, na minha mentalidade agitada de adolescente, eram os discos seguintes da banda.
E esses discos que eu achava os mais legais tinham muita coisa do Aborto Elétrico, banda seminal do Rock de Brasília. Também tinham a participação do início ao fim do baixista Renato Rocha.
Renato Rocha era um cara punk de Brasília que tocava baixo e que entrou na Legião para gravar o primeiro disco. Ficou até o terceiro disco.
Sei que muitas vezes as bandas colocam músicos de estúdio para gravar certos instrumentos no lugar dos integrantes do conjunto, mas não acho que esse seria o caso do Renato Rocha. O cara tinha linhas de baixo muito boas, mesmo. Faço questão de dizer que acho que ele era o melhor instrumentista do grupo. O Dado era um guitarrista mais ou menos e o Bonfá...Bom, deixa para lá!
Renato Rocha era o cara mais punk do grupo. Tem um vídeo dos caras no programa Perdidos na Noite e dá para ver a postura e o gosto punk do sujeito. Será que foi por isso que ele saiu? Tem uma entrevista em que o Dado diz que o cara faltava ensaio, perdia vôo. Ah, entendo... Mas então como nunca colocaram um baixista oficial no lugar dele?
O tempo passou. Ouvi falar que ele estaria tocando no Vernon Walters, não o general americano, mas sim uma banda punk de Brasília. Depois ele apareceu com o Finis Africae, que era uma banda interessante, bem pós-punk.
Depois o Renato Russo morreu de AIDS. Todo mundo ficou triste e foi pego de surpresa. A morte do Renato Russo não foi como a do Cazuza, cuja doença foi acompanhada pela imprensa. Ninguém nem sabia que o líder da Legião estava doente. Era como se um pedaço da infância e da adolescência de muita gente tivesse sido arrancado.
Eu lembro que estava num ônibus para a rodoviária do Plano Piloto em 1996, sim eu já era adulta e pegava o coletivo naquela época, e ouvi duas mulheres comentando sobre o falecimento do Renato Russo e o fim da Legião Urbana. Uma delas disse que ninguém falava do baixista que havia deixado o grupo anos antes. Ela perguntou para a outra se o nome dele não era Renato Rocha. Eu ouvi e fiquei pensativa. Depois o ônibus parou e eu tirei aquilo da cabeça.
Só sei que as músicas que eu realmente curtia da Legião eram da época do Renato Rocha. A banda perdeu o lado punk depois que ele saiu e som foi ficando mais e mais folk.
E hoje eu dou de cara com uma matéria dizendo que o cara estava morando nas ruas. Sei da fama que ele tinha de doidão, mas morar nas ruas é um pouco demais, afinal a grana dos direitos autorais deveria ser mais do que suficiente para ele manter um teto sobre a cabeça.
Na reportagem aparece o próprio Renato Rocha, que o pessoal chamava de Negrete, e o pai dele, que ainda mora em Brasília. Também aparecia o Phelippe Seabra, da Plebe Rude. Estranhamente nenhum dos outros membros sobreviventes da Legião apareceu para dar explicações, o que deixou muitas perguntas.
Por que a banda vendeu milhões de CD’s, tem suas músicas executadas até hoje, inclusive as que o Negrete tocava, e o cara mora como mendigo?
O ECAD mandou uma notinha explicando que ele ganhou mais de 100.000 reais num período de 10 anos, o que daria mais ou menos uns 900 reais por mês. Isso é estranho demais. Tem que ter uma auditoria, pois a gente está falando de música que esteve até mesmo em abertura de novela das nove no ano passado.
Todo mundo fala do ECAD, mas eu sei que o ECAD fiscaliza, recolhe a grana, e passa o dinheiro para a associação da qual o músico faça parte. Depois a associação passa para o músico. Não pude deixar de pensar a qual associação o Renato Rocha poderia ser filiado. Muitas dessas associações não são sérias. Tinha uma associação dessas picaretas aqui em Brasília que ficava numa sobreloja na 509 Sul.
Tudo isso é para se pensar.
Só sei que fiquei triste de ver um cara que tocava tão legal e que fez tanto sucesso jogado nas ruas. E qual a razão dele ter saído da Legião. Drogas? Ah, tudo bem. Vou fingir que acredito que os outros caras da Legião eram freiras nos anos 80 e que não tomavam nada. Vou também fingir que acredito que ele era o único que tomava drogas.
Isso tudo é triste. Muito triste. E o pior de tudo é que os sobreviventes da Legião, pessoas que não tiveram talento para se manter na música depois do falecimento do líder da banda, não falam nada e agem com arrogância. Ficou a impressão de que eles ganham mais pelas mesmas músicas do que o baixista que virou mendigo.
Ah, eu sei que eles ficaram com a banda até o final, mas a gente pouco os vê tocando por aí. Creio que não devam ganhar muito com cachês e que também vivam das glórias do passado.
quinta-feira, 1 de março de 2012
domingo, 26 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Morte de Whitney Houston
Eu vivi os anos 80 e me lembro de um monte de coisas da época. Fiquei arrasada com a morte de Whitney Houston e escrevi um artigo sobre isso no site dogzsongs
http://www.dogzsongs.com/resenhas.htm
E fodam-se os que xingam a gente por falar que curte o som da Whitney. Vocês acham que a gente começou a curtir o som dela ontem? Ela fazia sucesso há uns 25 anos, seus sabichões!
http://www.dogzsongs.com/resenhas.htm
E fodam-se os que xingam a gente por falar que curte o som da Whitney. Vocês acham que a gente começou a curtir o som dela ontem? Ela fazia sucesso há uns 25 anos, seus sabichões!
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whitney houston falecimento
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Documentário Ruído das Minas
A resenha está no site www.dogzsongs.com
Há um link para o documentário inteiro no site também. Esse documentário é demais, fala tudo o que a gente, na condição de fã, sempre quis saber sobre a cena de metal de Belo Horizonte. Participações do pessoal do Overdose, Sepultura, Sarcófago, Holocausto, Witchammer e outras tantas bandas que fizeram a cabeça da molecada banger na virada dos anos 80 para os 90
Há um link para o documentário inteiro no site também. Esse documentário é demais, fala tudo o que a gente, na condição de fã, sempre quis saber sobre a cena de metal de Belo Horizonte. Participações do pessoal do Overdose, Sepultura, Sarcófago, Holocausto, Witchammer e outras tantas bandas que fizeram a cabeça da molecada banger na virada dos anos 80 para os 90
sábado, 14 de janeiro de 2012
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