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sábado, 25 de janeiro de 2014

FUNK CARIOCA E A DEGENERAÇÃO DA MÚSICA BRASILEIRA

FUNK CARIOCA E A DEGENERAÇÃO DA MÚSICA BRASILEIRA

            A música brasileira, se é que se pode chamar esse monte de ruídos desorganizados de música, virou pornô hardcore.

            Não tenho nada contra músicas de conteúdos erótico. Eu ouço Whitesnake, que é a banda da Cobra Branca. As capas do Whitesnake, por muito tempo, tinham sempre uma mulher e uma cobra. Isso sem falar da capa do Come ‘n’ Get It, que tem uma vagina escondida. Sim, tem uma vagina escondida naquela capa. Ah, e tem a capa do Lovehunter, que tem uma pintura que é uma mulher cavalgando uma cobra branca gigante.

            Legião Urbana, que eu ouvia muito por volta dos meus 10 ou 11 anos de idade, tem Daniel Na Cova Dos Leões, que é uma canção sobre sexo oral. Tudo bem se você não sabia, eu passei anos ouvindo e só fui descobrir sobre o que se tratava quando eu tinha uns 23 anos e alguém me explicou. E olha que sou boa em interpretação de texto. Fiquei de cara na ocasião.

            Acontece que nada disso é pornô explícito.  Alguns clipes do Whitesnake podem ser considerados Pornô Soft, com a então esposa do vocalista David Coverdale dando cambalhotas em capôs de carros de luxo usando uma camisola branca, mas a música era boa.

            Digo boa por uma questão que vai além de gosto, falo de técnica, mesmo. David Coverdale canta muito bem e é acompanhado de excelentes músicos. Suas melodias são excelentes e as harmonias e riffs de guitarra muito bem feitos. A banda já teve vários músicos virtuosísticos em sua formação, como Tommy Aldridge (um monstro na bateria que voltou a tocar com a banda recentemente) e Steve Vai, um dos melhores guitarristas do universo conhecido.

            Já a Legião, capitaneada pelo talento isolado de Renato Russo, tinha letras excelentes. Daniel Na Cova Dos Leões é tão bem escrita que demora para a gente se tocar do que se trata. O cara usa metáforas para descrever um ato erótico. Gente, esse uso de metáforas é muito legal! Isso é saber escrever bem!

            Daí eu dou de cara com Surra de Bunda, Tati Quebra-Barraco e afins e fico deprimida.

            Que merda é essa?

            Um tchu tchá tchá tchu tchá começa e daí vem uma mulher gritando. A mulher, ou o homem, gritam um poeminha de formato infantil e uma letra pornô. O máximo da poesia é “Dako é bom, Dako é bom, é a marca do fogão.”

            Não há melodia, não há notas. Os vocais dos estrofes têm quase sempre os mesmos números de sílabas e as pessoas gritam.

     Se há um arremedo de melodia, esse é formado por uma só nota repetida monotonicamente e martelada de maneira repetida, como uma britadeira na sua rua de madrugada. É perturbador.

            Sempre achei horrível. Aliás, quem gosta de música e tem mais sensibilidade auditiva acaba achando ruim, sempre!

            Sim, repeti SEMPRE de propósito.

           Daí, um dia eu vi o Marcelo Adnet na MTV explicando que o Funk carioca vem do Miami Bass...

            Miami Bass, o que é isso?

            Então eu vi o Régis Tadeu falando que viria, mesmo, do Miami Bass. Régis Tadeu é aquele crítico musical marrento que fala tudo.

            Procurei no Google por Miami Bass. Ah, peraí! Conheço isso desde criança!!!

            Miami Bass é um sub-gênero do Hip-Hop que fez muito sucesso na virada dos anos 80 para os 90. Tocava muito nas rádios antigamente, numa época em que ainda havia alguma variedade musical sendo tocada nas FM’s.

            As letras eram bem pornô em sua maioria. Vi o clipe do 2 Live Crew e saquei onde o Pornô do Funk Carioca havia se inspirado. Um monte de mulher de lingerie e uns caras fazendo rap sobre a bunda da mulher em cima da cara dele, algo que viria a inspirar o 50 Cent a fazer Rap sobre seu “pirulito” no futuro.

            Acontece que as letras eram pornográficas, mas as batidas eram legais. O 2 Live Crew tinha letras pornôs hardcore, mas tinha ritmo. Ouvi outros artistas do gênero, assim com alguns DJ’s fazendo mix, e era bem diferente, pois o som tinha uma pegada boa.

             É só tacar Miami  Bass no youtube e ver o que aparece. Embora não seja lá dessas coisas, tem ritmo.

             Eu agora estou falando de ritmo, mesmo! Cadê o ritmo do Funk Carioca? É só porra de tchu tchá tchá tchu tchá o tempo todo, sem nenhuma variação. Parece um marceneiro martelando um prego num pedaço de madeira. É repetitivo, não tem variação, não tem nada. 

            O marceneiro só que fixar o prego na madeira, ele não se importa se o som tirado do movimento tem variação ou é dançante. Ele só quer fixar a porra do prego.

            Lixo.

            Dizem que essa porcaria tocava nas favelas cariocas antes de fazer sucesso. É mesmo? Só lamento pelas pessoas que foram expostas a essa porcaria.

            Olha, isso está me fazendo achar que essa porcaria de Funk carioca é invenção do governo para controlar o povo da favela e deixar no “seu lugar”. Tipo: “você mora mal em uma comunidade (outra palavra que usam para favela) sem esgoto, mas seja feliz, pois você dança e transa muito mais do que tem esgoto em casa”.

             É, para quem tem poder de verdade não importa se  tem tráfico na favela e tem criança passando fome, eles querem é deixar o povo da “comunidade” isolado. Mas isso não tem jeito, só se colocar uma bolha ao redor, igual ao filme dos Simpsons.

            Daí nos anos 80 teve Furacão 2000 e DJ Marlboro. Chamavam hip-hop de funk nessa época, sei lá por quê. James Brown, o pai do Funk de verdade, não concordaria.

            Se a gente ouvir o Furacão 2000 do final dos anos 80, não tinha nada a ver com essa merda que chamam de funk. Era hip-hop e R&B. Ninguém aqui no Brasil sabe o que é R&B, mas é aquele negócio que Michael Jackson e Whitney Houston cantavam. Sim, eles cantavam! Foram alguns dos melhores vocalistas das últimas décadas. Ao contrário daquelas desafinadas bundudas funkeiras.

            Mas aí vem um intelectual com Mestrado e Doutorado, irmão de um ícone do Rock Nacional, um carinha chamado Hermano Vianna, e faz toda a mídia crer que aquela degeneração do hip-hop era legal. Dá a impressão de que é bonito.

            Em pouco tempo, criancinhas de 4 anos cantam funks pornográficos com letras explícitas e fazem danças de atrizes de filmes adultos, algo que deixaria pedófilos ficarem bem felizes. A Regina Casé aparece com sua cara imensa e seu queixão dizendo que aquela pobreza musical é linda, e todo mundo ama.

            Em pouco tempo, essa porcaria se espalha para São Paulo, onde adolescentes sem nada na cabeça inventam um troço chamado Funk Ostentação, no qual gritam sobre o tal do tchu tchá tchá tchu tchá letras longas sobre marcas e carros importados. Eles alugam carros de luxo, fazem uns vídeos, compram views no youtube (isso é um lance que quem tem grana compra, mesmo). Pagam de ricos, mas continuam bregas e pobres enquanto seus empresários, verdadeiros urubus, embolsam pequenas fortunas.
           
                Tudo lixo.
            
             E aí as gravadoras vão enriquecendo, pois é muito mais fácil ganhar grana com o mau gosto das pessoas do que com o bom gosto, e os empresários sugam os pseudo-artistas até que não deem mais nenhum dinheiro, pois sempre há uma saturação. Tudo em excesso enche o saco.

            E daí aparece um clone de Beyoncé chamada Anitta fazendo Freestyle. Freestyle é legal e começou no final dos anos 80. Existe até hoje, mas não vende tanto. É eletrônico, mas é melódico.

            O empresário dela a coloca para imitar a Beyoncé, que também canta R&B, e diz que aquele tipo de Freestyle é funk carioca. Mas não é. É Freestyle fraquinho. Coloca um Noel ou um Stevie B no youtube e ouça. É bom, Anitta não chega nem perto.

            O troço é ruim, mas pelo menos, ela canta. As funkeira do pornô music e mulheres-fruta não cantam. Elas só têm nádegas.

            Empresários ganham milhões fazendo merdas e quem se ferra é a gente, pois essa porcaria de tchu tchá tchá tchu tchá está em todo lugar e sufoca. É imposto pela mídia, a Globo coloca no ar, a Regina Casé com seus imensos dentes diz que todo brasileiro gosta, Hermano Vianna celebra a estupidez da periferia (imposta por quem tem poder), e tudo vira um lixo. A música, como melodia e ritmo, morre, o hip-hop perde o ritmo também, e, quando você vê, ninguém mais se importa com música.

            É isso aí. Não há espaço para música, mas há espaço para pornografia.

      Aí algum estudante de antropologia que ainda não se formou aparece no facebook defendendo o funk e chamando os detratores desse lixo de racistas e preconceituosos. Racista por quê? Preconceituoso por quê? É muito fácil chamar alguém de preconceituoso, lançar uma pergunta no ar, e não comprovar. 

       Cara, eu sou advogada. Para mim, você tem que provar que eu estou sendo preconceituosa ao odiar funk carioca. Qual a evidência de que sou preconceituosa ou racista? Aliás, qual a evidência de que todo mundo da periferia só pensa em sexo e músicas ruins? Nenhuma. Comprove, cara. 

             Eu sei o que é relativismo cultural e sei bem que o que falamos não tem nada disso. Eu não estou adotando uma postura “etnocêntrica” (antropólogos adoram essa palavra), então vá à merda!

            Ocorre que a periferia tem manifestações artísticas de verdade que são sufocadas por esse lixo sonoro que está em todos os lugares. Conheço rappers foda, gente de vários estados fazendo música ótima, mas aí vem a mídia e os empresários e nos sufocam com as porcarias que eles escolhem para investir.

             Não interessa a eles colocar um hip-hop ou um cantor legal para bombar. Olha, nem se a pessoa da periferia ganhar o The Voice, como foi o caso da maravilhosa Ellen Oléria, eles dão muito destaque. A Ellen Oléria, para quem não sabe, é nativa da Ceilândia, maior cidade-satélite do DF.

            Sei também de várias bandas punks das satélites e do entorno do DF. Conheço bandas de Metal e de Rock puro e ninguém está nem aí para elas. Não há nem lugar para o pessoal tocar.

            É triste demais.

            Esses czares milionários da música escolhem o que a gente vai ouvir e nos impõem lixo, ruídos com mulheres gritando. Nenhuma prostituta de rua consegue ser vulgar igual a essas criaturas.

            E isso é triste, pois até crianças gostam disso. Aliás, são elas que mais gostam.

            Triste demais.

            Só para comparar, eu fui para a Polônia em uma excursão dessas de “classe média emergente da era Lula” e vi um moleque de uns 8 anos tocando Mozart na rua. Lógico que ainda não tocava bem, a mãozinha ainda não tinha segurança, mas era Mozart.

            Qual o futuro da criança brasileira que faz danças pornográficas ao som de batidas repetitivas e gente gritando desafinadamente?

            Não sei. Acho que não pode ser muito bom.


           
           

           

            

segunda-feira, 9 de julho de 2012


A MORTE DO ROCK




Passei os últimos 20 anos da minha vida tocando Rock . Toquei várias vertentes, de Gótico à Heavy Metal, passando por Pop, Indie, e mais qualquer outro estilo que se pensar.

Tenho experiência de estúdio, sendo que gravei pela primeira vez com uma banda de Rock Clássico chamada Black Jack. Foi uma gravação ao vivo de ensaio com a banda inteira. Foi tosco, mas valeu a experiência.

Pois bem, eu cheguei à conclusão que NÃO VALE À PENA TOCAR ROCK NO DF OU NO BRASIL. Sabe por que? As pessoas NÃO curtem rock.

Eu cresci vendo filmes da Sessão da Tarde nos anos 80, tipo Goonies e assemelhados, e eu achava que se uma coisa fosse boa o povo iria gostar. Eu tinha aquele negócio do sonho americano dentro de mim (no mal sentido) e achava que um dia faria um grande sucesso, ou que pelo menos tivesse algum reconhecimento só por que tenho talento e uma paixão doida por música. Esse sonho americano existe entre vários de nós brasileiros, haja vista filmes com Os Dois Filhos de Francisco, em que Zezé e o seu parasita Luciano alcançam grande sucesso pelo simples fato de terem talento e um pai maluco que pagava fichas telefônicas para que os peões de obra a ele submetidos (creio que seu Francisco tenha sido Mestre de Obras) ligassem pedindo a música na rádio. Pois é, eu cresci acreditando nessa versão brasileira do sonho americano, aquele lance “tente outra vez” ou “eu sou brasileiro e não desisto nunca” que é uma adaptação mais dramática do Sonho Americano para os trópicos.

Hoje eu vejo que isso é impossível.

As pessoas não curtem rock. Não adianta você tocar, cantar e compor. Não adianta se você fizer tudo bem. O que adianta é o que algum czar da indústria fonográfica vai decidir que virará moda. Daí eles criam alguma “maravilha de um hit só”, enchem o rabo de grana, exploram o artista ingênuo do “tchu tchá” ou “tchererererê” ao máximo, e partem para uma nova maravilha de um hit só.

É tudo lixo. Antigamente havia espaço para coisas que prestassem. Hoje o espaço é mínimo, a não ser que você seja um daqueles medalhões da MPB ou uma diva lésbica que pretenda ser uma reencarnação da Cássia Eller. Ah, se você for apadrinhada do Nelson Motta é melhor ainda.

Eu me lembro do Cazuza tocando nas rádios. Eu admirava o cara, mas sentia muita tristeza em suas músicas. Eu ouvia Legião indo para a escola no rádio do carro da minha mãe, assim como ouvia Guns’n’Roses enquanto passeava em um shopping da Tijuca em 1989 (shopping 45, não faço idéia se ainda existe). As pessoas curtiam The Smiths e Cindy Lauper, havia as músicas de duplo sentido do Luís Caldas e da Sarajane, mas havia outras coisas também. Até o “Axé Music” era algo menos repetitivo e bem mais criativo.

A economia estava em uma recessão horrível e não havia muitas esperanças de que a situação melhorasse. Vivíamos em um período de hiperinflação em que o dinheiro perdia cerca de 30% de seu valor a cada mês. Era Sarney, a era de horror econômico e caos, mas não na música. Havia muita música boa.

Sei que a indústria fonográfica está em crise e que os executivos e demais formadores de opinião querem ganhar grana certa, mas será que a produção de músicas onomatopéicas com cantores feios e sem talento dá tanta grana assim? Será que não vale a pena tentar algo de diferente.

Pois bem, eu visualizei essa dura realidade na pele quando fui cantar em um evento em uma cidade-satélite de Brasília. O set-list incluía 5 músicas, só consegui executar 3. Os técnicos de som desta “feira” ou “festa” eram empregados da banda de forró que viria a seguir. Eles só me deixaram levar 3 músicas e cortaram meu microfone, o que nem me deu tempo de me despedir do público.

Foi duro, foi horrível. E olha que eu sou mais bonita , canto bem melhor e toco mais que qualquer um dos músicos da banda de forró. Mas o fato de eu ser bonitinha e cantar bem não importou para o público, que estava interessado no forró “atochado” com um dançarino exótico que se assemelhava ao Chapolin Colorado. Sério, tinha um sujeito vestido de vermelho alaranjado fazendo passos esdrúxulos acompanhado de umas meninas bonitinhas. Tudo bem colocar dançarinas, mas precisava daquele Chapolin chamativo?

Nada contra forró, mas expulsar do palco quem estava na frente e que NÃO HAVIA SIDO CULPADO PELO ATRASO é horrível . Eu só precisava de mais dez minutos.

Na minha humilde cabeça cheia de novelas das 8 dos anos 80(antes a novela começava às 8:30) e filmes sobre o “Sonho Americano” ou “Drama de Brasileiro Que Não Desiste Nunca” eu achava que o público iria me dar chance de tocar e de entreter simplesmente por que eu toco bem. Ledo engano.

Não é isso o que ocorre. Os caras da banda de forró não estavam nem aí para o fato de eu estar esperando ali há horas para tocar ou que eu tinha atravessado o Distrito Federal inteiro atrás de uma bateria. Eles me expulsaram do palco, só isso.

O público era mínimo e poucos curtiram, até porque o público queria um forró “atochado” de ralar perna com perna até um masturbar o outro no meio de tanta ralação. Eu não tenho nada contra masturbação, mas creio que deveria haver mais espaço para músicas que não envolvam danças eróticas.

Falando em espaço, devo dizer que não há espaço para bons músicos. Não há espaço para quem seja bom, independentemente de estilo. Há espaço somente para empresários que criam bandas de laboratório e que tocam estilos que eles decidem que devem ser lucrativos no futuro. É uma ditadura, pois uns poucos czares decidem o que todo o mundo vai ouvir.

Fiquei arrasada e cheguei a minha casa em choque. Nós não havíamos nem recebido o cachê e a “posição de honra” para que tocássemos todo o set-list nos foi negada. Alguns dos envolvidos na produção (não os forrozeiros) haviam insistido para que tocássemos e prometeram uma “posição de honra”. Mentira deles.

Os outros músicos da banda ficaram felizes e eu fiquei triste. Não haviam sido eles que haviam cantado e sentido a reação do público. Naquele momento da expulsão eu realizei que ninguém mais faz Rock no Brasil.

O Rock nunca foi bem visto no Brasil, tanto que músicos e fãs do estilo sempre foram meio marginalizados. Recentemente descobri que houve uma passeata ridícula de 1967 capitaneada pela Elis e pelo Edu Lobo contra a guitarra elétrica. Jair Rodrigues estava na passeata e Gil também, todos contra a “invasão ianque da guitarra”. Caetano e Nara Leão viram tudo de longe e ficaram chocados. Nara Leão chegou a dizer que parecia uma “passeata integralista”.

Por que tanto preconceito contra um instrumento legal de seis cordas? Que merda é essa? Tudo bem, sei que Elis depois se rendeu ao uso da guitarra posteriormente e que o filho do Jair Rodrigues foi estudar na Berklee School Of Music em Boston (é, a família Rodrigues tem alguém de seu clã graduado pela universidade de música americana), mas isso demonstra a idéia dos czares de que a MPB é algo sacrossanto, puramente brasileiro, e que a guitarra deve ser banida. Esse pensamento ridículo ainda existe.

E a guitarra está associada ao Rock e o Rock está associado a alguma xenofobia ridícula contra os Americanos. Tudo bem que os EUA fazem altas merdas no mundo, mas a gente tem que admitir que há muita música boa por ali. E tudo isso é idéia dos czares da música no Brasil, que influenciam o povo. Daí o povo odeia Rock e guitarra.

É. O preconceito contra o Rock vem de longe, implantado no inconsciente coletivo da população.

Houve um breve período em que os czares mostravam Rock para o povo, assim como vários outros estilos criativos. Depois eles decidiram QUE NÃO VALIA A PENA MOSTRAR O ROCK PARA O POVO.

Eu senti isso na pele, e olha que não foi a primeira vez. Há uns três anos fui tocar na feira da lua em Sobradinho. Eles me deixaram tocar 2 músicas, sem cachê, e eu fui quase que expulsa do palco para que uma dupla de eletro-sertanejo tocasse. Já viram eletro-sertanejo? É sertanejo com um tecladinho e bateria eletrônica, sem nenhum outro instrumento. É aquela batida de bateria que já vem no teclado quando você compra. Música de churrascaria é melhor que isso.

Essas duas experiências me marcaram, pois aprendi que não vale a pena tocar ou cantar bem se você não é “produzido em laboratório” por algum desses tiranos da indústria musical. Eles pegam alguém, colocam na forma, exploram o artista, e enchem o rabo de grana. Não há espaço para nada que não seja pré-fabricado.

Eu não fui pré-fabricada. Eu aprendi a tocar sozinha estudando, ouvindo música, e lendo. A música flui de mim naturalmente. Não sei nem como eu poderia ser moldada por um desses czares numa dessas formas. É foda. Fazer o quê?

Pois é, o Sonho Americano adaptado aos trópicos não existe mais, e não vale a pena tocar Rock para uma platéia de surdos. Tocar Rock no Brasil, ou pelo menos em Brasília, não vale a pena. Eu fico pensando se realmente vale à pena você tocar o que quer que seja num país onde tudo o que é feito e consumido é pré-fabricado num universo de músicas onomatopéicas de artistas medíocres. E olha que nem tocando covers da Adele eles conseguem disfarçar a falta de talento. Ah, mas eles não têm talento, eles têm alguém poderoso por trás, bem por trás (falei no segundo sentido, mesmo)



terça-feira, 5 de junho de 2012

COMO NÃO AFUNDAR UMA BANDA DE ROCK

COMO NÃO AFUNDAR UMA BANDA DE ROCK


       Estes conselhos são baseados em minha experiência de uns 18 anos tocando em bandas e mais de vinte anos tocando violão/guitarra. Eu não sou tão velha, mas comecei a tocar violão ao 9 anos (era uma porcaria chamada Rei dos Violões LTDA, também conhecido como Tonante –ECA) e desde 95 ou 96 venho quebrando a cara com bandas. Aprendi muito tocando no underground de Brasília, especialmente no que diz respeito ao relacionamento com pessoas de uma mesma equipe/banda. Por outro lado, aprendi pouquíssimo sobre música.

       Sobre música aprendi mais é gravando e lendo, mas aí é matéria para outro artigo.

       Vou numerar meus conselhos para os mais jovens, aí vão:

      1. Nunca, mas NUNCA, entre em uma banda de Rock em que o dono/líder ache que Black Sabbath sem Ozzy é New Wave.



     Razão: o cara não sabe quem é Ronnie James Dio (se você curte Sabbath você é OBRIGADO a saber quem era ). O sujeito é um poser que não entende de Rock. Nunca confie em alguém que coloque rótulos naquilo que não conheça.

       Qualquer um que ache o Sabbath remotamente se equipare a New Wave é um retardado. Ignore a pessoa. Um fã de rock de verdade nunca falaria tal sandice.

    2. Nunca, mas nunca, toque com quem é muito ruim.


     Isso é péssimo. Às vezes a gente entra em uma banda de amigos e tem algum super gente boa que é terrível como músico. Por mais que essa pessoa seja maravilhosa, ela sempre prejudicará a banda.

    Caso você realmente queira que a pessoa participe da banda, dê um pandeirinho para ele tocar no fundo, peça para ela fazer backing vocals bem baixinho ou algo em que a falta de conhecimento musical dela não seja notada.

     Exemplo: a banda Happy Mondays queria que o seu traficante (eles eram todos doidões) participasse do show. O sujeito não sabia tocar nada, então eles deram um chocalho para ele ficar balançando no palco enquanto fazia uma dancinha esquisita. A falta de talento dele não prejudicou a banda musicalmente.

    3. Evite tipinhos que falam muito, mas não fazem nada de relevante.


     Saca o sujeito que se diz produtor mas não entra em estúdio há uns 25 anos ou o carinha que se diz compositor mas que só toca músicas de outras pessoas? Esses tipos não acrescentam em nada e só gostam de aparecer. Gente que só gosta de aparecer pode ser boa para bandas cover bem chamativas, especialmente se eles têm presença de palco. E só.


    4. Cuidado com o pessoal que é viciado em drogas pesadas.


   Às vezes são excelentes músicos, mas normalmente eles não têm controle sobre si. Não dá para confiar neles. Eles perdem ensaios, às vezes furtam coisas dos outros, etc. Se o cara cheira cocaína, cuidado. Não estamos nos anos 70 e fazer isso não é mais considerado normal. É o tipo que perde ensaios, shows, e some quando você mais precisa.

    5. Se um dos músicos da banda for do tipo que embolsa o cachê e não repassa a parte que cabe para cada um, jamais toque com ele.



A pessoa é uma fdp e você não vai querer tocar com ela. O cara que faz isso com 50 reais também vai fazer isso com cachês maiores. Isso vale para músicos de qualquer estilo, sertanejo, axé, death metal, punk, rock, o que for.

    6. Se houver um erro em um ensaio, pare tudo e veja onde errou. Ensaios são para isso.


    7. Se alguém ficar com cara emburrada nos ensaios, pergunte o porquê.



      É chato quando alguém fica com cara de bunda o tempo todo, não fala nada, e depois some. Pergunte o porquê da insatisfação da pessoa. Deixar a pessoa tocando com a cara feia até sumir vai dar problema.

    8. Evite tiranos. 


   Se o cara não tiver a voz do Coverdale ou o talento do Malmsteen, ele não tem o direito de ser tirano. É o tipo de gente que entra no seu mural do facebook cobrando que você pegue a música “x” ou “y” de maneira bem babaca. Se ele não te paga ele não tem o direito de fazer isso.

    Exemplo: coloquei um vídeo do Deep Purple dizendo que iria pegar aquele solo no meu mural do Facebook. O líder de uma das bandas bandas em que toquei invadiu meu mural chamando a minha atenção e dizendo para eu pegar outra coisa de forma levemente grosseira, como se fosse um professor ou um chefe de repartição. Em primeiro lugar, eu nem ia mesmo pegar o solo do Deep Purple, eu estava tirando onda. Em segundo lugar, o líder da banda não era o meu chefe e não me pagava salário. A nossa banda era para a gente se divertir e ele não tinha razão para ficar com tantas cobranças. Se houver muitas cobranças para um evento lúdico, de diversão, largue o projeto. Só quem pode te cobrar é o teu chefe, ou seja, QUEM PAGA O SEU SALÁRIO.

    9. Veja se o esforço que você vai despender em uma banda compensa de alguma forma. 


    Existem duas formas de compensar o seu tempo e o seu esforço. A primeira é com cachê. Às vezes o cachê é tão bom que compensa um líder babaca. Mas como normalmente bandas de Rock underground não recebem cachês, fuja do projeto nessa hipótese. A segunda é gratificação pessoal. Se você está gastando seu tempo com um projeto cheio de gente legal e que toca bem, talvez o seu tempo e seu esforço sejam compensados. Então você tem quatro coisas para focar: esforço, tempo, grana e gratificação pessoal. É muito tempo para pouca gratificação pessoal? É muito esforço para pouca grana? Você tem que ter algum tipo de recompensa, que seja se divertir muito em um show, mas você tem que ter.

    Por exemplo: o show em que eu mais me diverti foi em 98, num tributo ao Black Sabbath. Não ganhei um tostão, mas o público delirou e nós da banda também. Foi como um barato sem álcool ou drogas. Ficamos eletrizados depois do show e a galera curtiu muito. Até hoje eu gostaria de reprisar isso, mas ainda não consegui. Não ganhei nada de dinheiro, mas fui muito bem tratada, toquei com grandes músicos e o público curtiu com a gente as ótimas músicas que tocávamos.

         

    10. Ainda no mesmo sentido, veja com quem você vai tocar e onde.  


    Já aconteceu de eu tocar em uma feira agropecuária sem saber. Eu toco Rock e o povo só queria ouvir sertanejo. Havia galinhas vivas sendo vendidas no local e um monte de peões montados a cavalo no melhor estilo Country. Eu me dei mal, muito mal. Cantei bem mas, mesmo assim, quase foi expulsa do palco. Definitivamente: NÃO VALEU A PENA. Fico pensando se teriam me tratado melhor se eu tivesse usado um chapéu de caubói!

    11. Evite cantores DIVAS. 


     Se o cara é muito metido e não canta no nível de um Coverdale ou do Robert Plant, esqueça. A gente já tem que lidar com gente chata na rua e no trabalho, agüentar tipos similares em bandas é doloroso. Você tem que ter muito, MAS MUITO talento, para ter pose. Se não tiver, lembre-se que você vai para debaixo da terra como todo mundo e se recolha a sua insignificância.

    12. Evite tipos que não enxergam os próprios erros. 


     Esses são os piores, principalmente quando acham que você é que errou. A gente já tem que normalmente agüentar pessoas similares no trabalho, agüentar em bandas é ruim demais.

    13. Evite invejosos. 


     Se alguém lhe inveja só porque você chegou no ensaio com um equipamento novo, saia da banda. Todo mundo tem direito de ter equipamento bom e isso só acrescenta para o som. Se alguém fica com raiva por isso, essa pessoa é um idiota. Retire ele da banda ou saia. Não toque com essa pessoa.

    14. Não toque em bandas em que um ou dois integrantes sejam ex-namorados


    Vai dar uma briga feia. Uma das minhas primeiras bandas acabou por causa disso e quase teve um combate de UFC em um ensaio.

    15. Se alguém da banda dá em cima da vocalista ou de outra garota do conjunto que tenha namorado, isso vai dar uma briga feia. 


     Você pode ser afetado sem ter nada a ver com a história. Cuidado!

    16. Não fique pedindo muitas desculpas, mesmo que tenha errado.  


     Fale um simples “foi mal” ou “desculpa, vou repetir”, mas não se humilhe. Um “deixa eu fazer de novo” discreto basta. Se você se humilhar, alguém vai lhe pisar.

    17. Se o pessoal não quer conversar, então a banda não vai dar certo.  


    Se o líder da banda não ouve os outros músicos, a banda vai fracassar.



    Bom, esses são os meus conselhos básicos. Umas pessoas podem ficar raiva, outras não, mas a verdade é essa.

     Eu acho que muitas bandas poderiam ter continuado se tivessem tido cuidado com algum desses aspectos que descrevi. Uma banda é uma equipe em que cada um tem o seu papel, se a pessoa não exerce direito, não toque com ela. Simples assim.

     Muita gente pode ficar com raiva de mim, mas eu só descrevo a minha experiência de anos de estrada. Todo mundo que toca já passou por situações parecidas e, se a gente não tomar cuidado, isso acaba com o conjunto e deprime os músicos. Há pessoas que largam a música por conta de coisas desse tipo.

     Nós músicos temos que compreender que uma banda é uma equipe e os músicos têm que saber gerenciar o projeto. Talvez tocar num evento longe de casa valha a pena por que o cachê é legal, mas será que o produtor vai te pagar mesmo? Faça um contrato, assine algo que lhe dê garantias. Uma música é feita em um ensaio. Quem é que vai receber o crédito, o sujeito que chegou com a idéia ou a banda inteira? Essas coisas têm que ser discutidas para não gerar mágoas que levam a inimizades.

     Bom, espero que isso sirva para o mais jovens que estão começando a formar bandas por aí. Abraços galera.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

MURDEROCK AND THE CEMITERY DOG

LANCEI MEU NOVO EP NO SITE PALCO MP3
O LINK ESTARÁ DISPONÍVEL EM TRÊS DIAS COM TODAS AS MINHAS MÚSICAS NOVAS
NO HTTP://PALCOMP3.COM/ANALUIZABROWN

As músicas são sobre morte, amor, pirataria na África, Bullying, e outras coisas que todo mundo ouve falar ou viveu na própria pele

O Murderock é em inglês. Estou gravando EP's em inglês e em português separados para que as pessoas não se confundam com tanta língua diferente. Eu quero ser a Shakira do ROCK! rssrs

Aliás, usei influências latinas e africanas nesse trabalho: toquei berimbau e um tambor chamado gan-gan ou tambor falante, que eu comprei em uma loja de umbanda e era importado da Nigéria. Obviamente, também cantei e toquei guita e baixo, além de programar bateria.

Esse é um trabalho gostoso de ouvir, mas um tantinho mórbido;)

Os sons antigos estão todos disponíveis no http://www.dogzsongs.com

Abraços e espero que curtam