sábado, 1 de fevereiro de 2014

UM ENSAIO SOBRE A BELEZA E O PODER DO PHOTOSHOP


     Um belo dia eu abri a minha página no facebook e dei de cara com uma foto mais ou menos interessante, mas que me chamou pouco a atenção:de um lado estava uma mulher atlética que parecia a Maurren Maggi do salto triplo das olimpíadas. 

     Havia três crianças com ela, seus filhos. A foto dela tinha uma legenda: “what’s your excuse?” (qual a sua desculpa?). Obviamente devia se tratar de algum incentivo a atividades físicas ou propaganda de academia.
    Que bom para a jovem mãe! Ela é atlética e consegue ter uma barriga tanquinho mesmo após uma penca de filhos.

    Acontece que depois apareceu uma montagem dessa fotografia com outra que era de uma mulher com a barriga flácida após muitos partos. A mulher não era feia. Seu rosto era bonito e ela parecia saudável. Ao seu redor havia também três crianças. A legenda dela: “My escuse is that I’m OK with it!” (estou OK com isso!)

    Bom, lamento lhe informar, mãe bonitinha cuja barriga está justificadamente flácida após vários partos, mas você se importa. Sim, você se importa! Se você não se importasse, você não se daria ao trabalho de tirar uma foto na mesma pose da atleta, juntar a molecada ao seu redor, botar uma legenda, fazer a montagem das duas fotos juntas, e colocar no facebook!

     Se você não se importasse, ela faria como eu e pensaria “bom para ela” e não olharia aquela fotografia mais de uma vez.

    Obviamente, houve alguns blogs com textos criticando padrões de beleza feminino “inalcançáveis” e “midiáticos” e exaltando a atitude da mãe que não era  atlética. Deve ter havido algum blog falando de opressão masculina, mas eu ainda não vi.

    Interessantíssimo, até por que aquele padrão sarado e magro não é padrão de beleza no Brasil! Não é, não!

     Olhe a TV! Faça um sacrifício e dê uma olhadinha naquele programa horrível: Pânico Na Band. Faça mais e olhe o BBB. Capaz de você ter um troço, pois o programa é ruim. Dê uma sacada nas mulheres. Olhe a mulherada semi-nua no Carnaval. O padrão sarada e seca não é o padrão de beleza no Brasil.

     O padrão de beleza da mulher brasileira é a mulher bombada. É malhar pesado, mas não ser seca. Não é inalcançável. Basta malhar todo dia uma hora e meia e tomar umas coisinhas que façam com que a celulite suma e a musculatura aumente. Essas substâncias podem deixar a mulher com voz grossa e mais pelos, mas os caras curtem. 

      Esse padrão bombado também inclui vestido “abajur de xoxota” e muito silicone, mas muito silicone.

     A “bombada do silicone”, que parece ter saído da revistinha do Conan – O Bárbaro, é um dos principais padrões midiáticos de beleza feminina. 

     O outro padrão é o da extrema magreza, estilo capa de revista de moda. É simples alcançar esse padrão, basta não comer, mesmo que tenha acesso à comida boa. Esse padrão às vezes inclui silicone em menos quantidade e um aspecto meio triste, típico de modelo de passarela.

     Não existe o padrão sarada e magra no Brasil. Aliás, isso nem existe no mundo. A atleta da foto não se enquadra em nenhum padrão. Ela possivelmente só quer que você se matricule na academia dela.

    Assim, é risível ter tanto texto sobre “padrão midiático” com relação a uma foto de uma mulher malhada e atlética, a qual deve ser uma professora de educação física que não tem cara de usar “coisinhas” que a deixem bombada.

    A atleta também não aparentava ter próteses de silicone, pois isso a gente vê logo. Hoje em dia qualquer “gostosa” parece ter um par de bolas de handebol no lugar dos peitos. Padrão midiático é ter peitão de formato não exatamente humano.

    Por outro lado, há que se ressaltar que todas as culturas têm padrões estéticos para mulheres. Sei de muitos padrões estéticos para homens também. Portanto não há que se ter raiva da existência de “padrões”, pois eles  sempre existiram. Qualquer um pode ser feliz sem se enquadrar neles.
Por exemplo: na  Índia e no Oriente Médio homem tem que ter bigode! Um homem sem barba ou bigode é “imaturo”.  

    Outros exemplos: as mulheres-girafa da Indonésia têm pescoços compridos e troncos curtos, as chinesas de uns cem anos atrás deformavam os pés para caberem em sapatos minúsculos, e as mulheres do Oriente Médio não são consideradas bonitas se forem magras (elas têm que “ser cheias de corpo”).

    Toda cultura têm padrões. A questão é não se importar com eles se eles  incomodam.
   Enquadrar-se em padrões estéticos significa somente ter mais facilidade em encontrar um parceiro sexual. Sim, é assim que funciona no Reino Animal. 

    Isso não significa, entretanto, que pessoas “bonitas” transem mais, mas só que ser bonito facilita conhecer alguém para transar.

    Ah, agora eu fui sincera!

    Os homens, ao contrário das mulheres, não são tão ligados em padrões estéticos. Eles tampouco se sentem complexados se os pôsteres de propagandas colocam homens magros e bem definidos. O homem não está nem aí para isso e muitas vezes ri de sua própria barriga.

   Por que a gente que é mulher não pode ser igual a eles? Será que é difícil imitá-los nesse aspecto mais leve da personalidade masculina?

   Só sei que estou relaxada com os “padrões” e não me incomodo com eles. Vou fazer igual aos homens e ficar feliz. Ao invés de ficar olhando as modelos magérrimas nas passarelas, eu vou sacar o que elas usam e fazer piada do design de um e outro estilista.

    Que se dane se a mulher não se encaixa em padrões estéticos! Uma pessoa não será condenada à morte no nosso país se isso acontecer.

     Portanto, mãe bonitinha cuja barriga está justificadamente flácida, deixa a atleta ser feliz e não fica enchendo o saco. Uma pessoa que não se importa não faria aquela foto. Quem não se importa, não liga para fotos.

    E, mãe bonitinha, faça um cursinho de Photoshop. Isso abre a mente e ensina muito sobre padrões estéticos. 

sábado, 25 de janeiro de 2014

FUNK CARIOCA E A DEGENERAÇÃO DA MÚSICA BRASILEIRA

FUNK CARIOCA E A DEGENERAÇÃO DA MÚSICA BRASILEIRA

            A música brasileira, se é que se pode chamar esse monte de ruídos desorganizados de música, virou pornô hardcore.

            Não tenho nada contra músicas de conteúdos erótico. Eu ouço Whitesnake, que é a banda da Cobra Branca. As capas do Whitesnake, por muito tempo, tinham sempre uma mulher e uma cobra. Isso sem falar da capa do Come ‘n’ Get It, que tem uma vagina escondida. Sim, tem uma vagina escondida naquela capa. Ah, e tem a capa do Lovehunter, que tem uma pintura que é uma mulher cavalgando uma cobra branca gigante.

            Legião Urbana, que eu ouvia muito por volta dos meus 10 ou 11 anos de idade, tem Daniel Na Cova Dos Leões, que é uma canção sobre sexo oral. Tudo bem se você não sabia, eu passei anos ouvindo e só fui descobrir sobre o que se tratava quando eu tinha uns 23 anos e alguém me explicou. E olha que sou boa em interpretação de texto. Fiquei de cara na ocasião.

            Acontece que nada disso é pornô explícito.  Alguns clipes do Whitesnake podem ser considerados Pornô Soft, com a então esposa do vocalista David Coverdale dando cambalhotas em capôs de carros de luxo usando uma camisola branca, mas a música era boa.

            Digo boa por uma questão que vai além de gosto, falo de técnica, mesmo. David Coverdale canta muito bem e é acompanhado de excelentes músicos. Suas melodias são excelentes e as harmonias e riffs de guitarra muito bem feitos. A banda já teve vários músicos virtuosísticos em sua formação, como Tommy Aldridge (um monstro na bateria que voltou a tocar com a banda recentemente) e Steve Vai, um dos melhores guitarristas do universo conhecido.

            Já a Legião, capitaneada pelo talento isolado de Renato Russo, tinha letras excelentes. Daniel Na Cova Dos Leões é tão bem escrita que demora para a gente se tocar do que se trata. O cara usa metáforas para descrever um ato erótico. Gente, esse uso de metáforas é muito legal! Isso é saber escrever bem!

            Daí eu dou de cara com Surra de Bunda, Tati Quebra-Barraco e afins e fico deprimida.

            Que merda é essa?

            Um tchu tchá tchá tchu tchá começa e daí vem uma mulher gritando. A mulher, ou o homem, gritam um poeminha de formato infantil e uma letra pornô. O máximo da poesia é “Dako é bom, Dako é bom, é a marca do fogão.”

            Não há melodia, não há notas. Os vocais dos estrofes têm quase sempre os mesmos números de sílabas e as pessoas gritam.

     Se há um arremedo de melodia, esse é formado por uma só nota repetida monotonicamente e martelada de maneira repetida, como uma britadeira na sua rua de madrugada. É perturbador.

            Sempre achei horrível. Aliás, quem gosta de música e tem mais sensibilidade auditiva acaba achando ruim, sempre!

            Sim, repeti SEMPRE de propósito.

           Daí, um dia eu vi o Marcelo Adnet na MTV explicando que o Funk carioca vem do Miami Bass...

            Miami Bass, o que é isso?

            Então eu vi o Régis Tadeu falando que viria, mesmo, do Miami Bass. Régis Tadeu é aquele crítico musical marrento que fala tudo.

            Procurei no Google por Miami Bass. Ah, peraí! Conheço isso desde criança!!!

            Miami Bass é um sub-gênero do Hip-Hop que fez muito sucesso na virada dos anos 80 para os 90. Tocava muito nas rádios antigamente, numa época em que ainda havia alguma variedade musical sendo tocada nas FM’s.

            As letras eram bem pornô em sua maioria. Vi o clipe do 2 Live Crew e saquei onde o Pornô do Funk Carioca havia se inspirado. Um monte de mulher de lingerie e uns caras fazendo rap sobre a bunda da mulher em cima da cara dele, algo que viria a inspirar o 50 Cent a fazer Rap sobre seu “pirulito” no futuro.

            Acontece que as letras eram pornográficas, mas as batidas eram legais. O 2 Live Crew tinha letras pornôs hardcore, mas tinha ritmo. Ouvi outros artistas do gênero, assim com alguns DJ’s fazendo mix, e era bem diferente, pois o som tinha uma pegada boa.

             É só tacar Miami  Bass no youtube e ver o que aparece. Embora não seja lá dessas coisas, tem ritmo.

             Eu agora estou falando de ritmo, mesmo! Cadê o ritmo do Funk Carioca? É só porra de tchu tchá tchá tchu tchá o tempo todo, sem nenhuma variação. Parece um marceneiro martelando um prego num pedaço de madeira. É repetitivo, não tem variação, não tem nada. 

            O marceneiro só que fixar o prego na madeira, ele não se importa se o som tirado do movimento tem variação ou é dançante. Ele só quer fixar a porra do prego.

            Lixo.

            Dizem que essa porcaria tocava nas favelas cariocas antes de fazer sucesso. É mesmo? Só lamento pelas pessoas que foram expostas a essa porcaria.

            Olha, isso está me fazendo achar que essa porcaria de Funk carioca é invenção do governo para controlar o povo da favela e deixar no “seu lugar”. Tipo: “você mora mal em uma comunidade (outra palavra que usam para favela) sem esgoto, mas seja feliz, pois você dança e transa muito mais do que tem esgoto em casa”.

             É, para quem tem poder de verdade não importa se  tem tráfico na favela e tem criança passando fome, eles querem é deixar o povo da “comunidade” isolado. Mas isso não tem jeito, só se colocar uma bolha ao redor, igual ao filme dos Simpsons.

            Daí nos anos 80 teve Furacão 2000 e DJ Marlboro. Chamavam hip-hop de funk nessa época, sei lá por quê. James Brown, o pai do Funk de verdade, não concordaria.

            Se a gente ouvir o Furacão 2000 do final dos anos 80, não tinha nada a ver com essa merda que chamam de funk. Era hip-hop e R&B. Ninguém aqui no Brasil sabe o que é R&B, mas é aquele negócio que Michael Jackson e Whitney Houston cantavam. Sim, eles cantavam! Foram alguns dos melhores vocalistas das últimas décadas. Ao contrário daquelas desafinadas bundudas funkeiras.

            Mas aí vem um intelectual com Mestrado e Doutorado, irmão de um ícone do Rock Nacional, um carinha chamado Hermano Vianna, e faz toda a mídia crer que aquela degeneração do hip-hop era legal. Dá a impressão de que é bonito.

            Em pouco tempo, criancinhas de 4 anos cantam funks pornográficos com letras explícitas e fazem danças de atrizes de filmes adultos, algo que deixaria pedófilos ficarem bem felizes. A Regina Casé aparece com sua cara imensa e seu queixão dizendo que aquela pobreza musical é linda, e todo mundo ama.

            Em pouco tempo, essa porcaria se espalha para São Paulo, onde adolescentes sem nada na cabeça inventam um troço chamado Funk Ostentação, no qual gritam sobre o tal do tchu tchá tchá tchu tchá letras longas sobre marcas e carros importados. Eles alugam carros de luxo, fazem uns vídeos, compram views no youtube (isso é um lance que quem tem grana compra, mesmo). Pagam de ricos, mas continuam bregas e pobres enquanto seus empresários, verdadeiros urubus, embolsam pequenas fortunas.
           
                Tudo lixo.
            
             E aí as gravadoras vão enriquecendo, pois é muito mais fácil ganhar grana com o mau gosto das pessoas do que com o bom gosto, e os empresários sugam os pseudo-artistas até que não deem mais nenhum dinheiro, pois sempre há uma saturação. Tudo em excesso enche o saco.

            E daí aparece um clone de Beyoncé chamada Anitta fazendo Freestyle. Freestyle é legal e começou no final dos anos 80. Existe até hoje, mas não vende tanto. É eletrônico, mas é melódico.

            O empresário dela a coloca para imitar a Beyoncé, que também canta R&B, e diz que aquele tipo de Freestyle é funk carioca. Mas não é. É Freestyle fraquinho. Coloca um Noel ou um Stevie B no youtube e ouça. É bom, Anitta não chega nem perto.

            O troço é ruim, mas pelo menos, ela canta. As funkeira do pornô music e mulheres-fruta não cantam. Elas só têm nádegas.

            Empresários ganham milhões fazendo merdas e quem se ferra é a gente, pois essa porcaria de tchu tchá tchá tchu tchá está em todo lugar e sufoca. É imposto pela mídia, a Globo coloca no ar, a Regina Casé com seus imensos dentes diz que todo brasileiro gosta, Hermano Vianna celebra a estupidez da periferia (imposta por quem tem poder), e tudo vira um lixo. A música, como melodia e ritmo, morre, o hip-hop perde o ritmo também, e, quando você vê, ninguém mais se importa com música.

            É isso aí. Não há espaço para música, mas há espaço para pornografia.

      Aí algum estudante de antropologia que ainda não se formou aparece no facebook defendendo o funk e chamando os detratores desse lixo de racistas e preconceituosos. Racista por quê? Preconceituoso por quê? É muito fácil chamar alguém de preconceituoso, lançar uma pergunta no ar, e não comprovar. 

       Cara, eu sou advogada. Para mim, você tem que provar que eu estou sendo preconceituosa ao odiar funk carioca. Qual a evidência de que sou preconceituosa ou racista? Aliás, qual a evidência de que todo mundo da periferia só pensa em sexo e músicas ruins? Nenhuma. Comprove, cara. 

             Eu sei o que é relativismo cultural e sei bem que o que falamos não tem nada disso. Eu não estou adotando uma postura “etnocêntrica” (antropólogos adoram essa palavra), então vá à merda!

            Ocorre que a periferia tem manifestações artísticas de verdade que são sufocadas por esse lixo sonoro que está em todos os lugares. Conheço rappers foda, gente de vários estados fazendo música ótima, mas aí vem a mídia e os empresários e nos sufocam com as porcarias que eles escolhem para investir.

             Não interessa a eles colocar um hip-hop ou um cantor legal para bombar. Olha, nem se a pessoa da periferia ganhar o The Voice, como foi o caso da maravilhosa Ellen Oléria, eles dão muito destaque. A Ellen Oléria, para quem não sabe, é nativa da Ceilândia, maior cidade-satélite do DF.

            Sei também de várias bandas punks das satélites e do entorno do DF. Conheço bandas de Metal e de Rock puro e ninguém está nem aí para elas. Não há nem lugar para o pessoal tocar.

            É triste demais.

            Esses czares milionários da música escolhem o que a gente vai ouvir e nos impõem lixo, ruídos com mulheres gritando. Nenhuma prostituta de rua consegue ser vulgar igual a essas criaturas.

            E isso é triste, pois até crianças gostam disso. Aliás, são elas que mais gostam.

            Triste demais.

            Só para comparar, eu fui para a Polônia em uma excursão dessas de “classe média emergente da era Lula” e vi um moleque de uns 8 anos tocando Mozart na rua. Lógico que ainda não tocava bem, a mãozinha ainda não tinha segurança, mas era Mozart.

            Qual o futuro da criança brasileira que faz danças pornográficas ao som de batidas repetitivas e gente gritando desafinadamente?

            Não sei. Acho que não pode ser muito bom.


           
           

           

            

domingo, 19 de janeiro de 2014

DEMO PARA UMA NOVA CANÇÃO CHAMADA FORSAKEN

https://soundcloud.com/ana-brown-rodrigues/forsaken

DEMO PARA UMA NOVA CANÇÃO

DEMO FOR A NEW SONG

RECORDING

Opiniões são bem-vindas!