FUNK CARIOCA E A DEGENERAÇÃO DA MÚSICA BRASILEIRA
A música brasileira, se é que se pode chamar esse monte
de ruídos desorganizados de música, virou pornô hardcore.
Não tenho nada contra músicas de conteúdos erótico. Eu
ouço Whitesnake, que é a banda da Cobra Branca. As capas do Whitesnake, por
muito tempo, tinham sempre uma mulher e uma cobra. Isso sem falar da capa do
Come ‘n’ Get It, que tem uma vagina escondida. Sim, tem uma vagina escondida
naquela capa. Ah, e tem a capa do Lovehunter, que tem uma pintura que é uma
mulher cavalgando uma cobra branca gigante.
Legião Urbana, que eu ouvia muito por volta dos meus 10
ou 11 anos de idade, tem Daniel Na Cova Dos Leões, que é uma canção sobre sexo
oral. Tudo bem se você não sabia, eu passei anos ouvindo e só fui descobrir
sobre o que se tratava quando eu tinha uns 23 anos e alguém me explicou. E olha
que sou boa em interpretação de texto. Fiquei de cara na ocasião.
Acontece que nada disso é pornô explícito. Alguns clipes do Whitesnake podem ser
considerados Pornô Soft, com a então esposa do vocalista David Coverdale dando
cambalhotas em capôs de carros de luxo usando uma camisola branca, mas a música
era boa.
Digo boa por uma questão que vai além de gosto, falo de
técnica, mesmo. David Coverdale canta muito bem e é acompanhado de excelentes
músicos. Suas melodias são excelentes e as harmonias e riffs de guitarra muito
bem feitos. A banda já teve vários músicos virtuosísticos em sua formação, como
Tommy Aldridge (um monstro na bateria que voltou a tocar com a banda
recentemente) e Steve Vai, um dos melhores guitarristas do universo conhecido.
Já a Legião, capitaneada pelo talento isolado de Renato
Russo, tinha letras excelentes. Daniel Na Cova Dos Leões é tão bem escrita que
demora para a gente se tocar do que se trata. O cara usa metáforas para
descrever um ato erótico. Gente, esse uso de metáforas é muito legal! Isso é
saber escrever bem!
Daí eu dou de cara com Surra de Bunda, Tati
Quebra-Barraco e afins e fico deprimida.
Que merda é essa?
Um tchu tchá tchá tchu tchá começa e daí vem uma mulher
gritando. A mulher, ou o homem, gritam um poeminha de formato infantil e uma
letra pornô. O máximo da poesia é “Dako é bom, Dako é bom, é a marca do fogão.”
Não há melodia, não há notas. Os vocais dos estrofes têm quase sempre os mesmos números de sílabas e as pessoas gritam.
Se há um arremedo de melodia, esse é formado por uma só
nota repetida monotonicamente e martelada de maneira repetida, como uma
britadeira na sua rua de madrugada. É perturbador.
Sempre achei horrível. Aliás, quem gosta de música e tem
mais sensibilidade auditiva acaba achando ruim, sempre!
Sim, repeti SEMPRE de propósito.
Daí, um dia eu vi o Marcelo Adnet na MTV explicando que o Funk carioca vem do Miami Bass...
Miami Bass, o que é isso?
Então eu vi o Régis Tadeu falando que viria, mesmo, do Miami Bass. Régis Tadeu é aquele crítico musical marrento que fala tudo.
Procurei no Google por Miami Bass. Ah, peraí! Conheço isso desde criança!!!
Miami Bass é um sub-gênero do Hip-Hop que fez muito sucesso na virada dos anos 80 para os 90. Tocava muito nas rádios antigamente, numa época em que ainda havia alguma variedade musical sendo tocada nas FM’s.
As letras eram bem pornô em sua maioria. Vi o clipe do 2 Live Crew e saquei onde o Pornô do Funk Carioca havia se inspirado. Um monte de mulher de lingerie e uns caras fazendo rap sobre a bunda da mulher em cima da cara dele, algo que viria a inspirar o 50 Cent a fazer Rap sobre seu “pirulito” no futuro.
Acontece que as letras eram pornográficas, mas as batidas
eram legais. O 2 Live Crew tinha letras pornôs hardcore, mas tinha ritmo. Ouvi
outros artistas do gênero, assim com alguns DJ’s fazendo mix, e era bem
diferente, pois o som tinha uma pegada boa.
É só tacar Miami Bass no youtube e ver o que aparece. Embora não seja lá dessas coisas, tem ritmo.
É só tacar Miami Bass no youtube e ver o que aparece. Embora não seja lá dessas coisas, tem ritmo.
Eu agora estou
falando de ritmo, mesmo! Cadê o ritmo do Funk Carioca? É só porra de tchu tchá
tchá tchu tchá o tempo todo, sem nenhuma variação. Parece um marceneiro
martelando um prego num pedaço de madeira. É repetitivo, não tem variação, não
tem nada.
O marceneiro só que fixar o prego na madeira, ele não se importa se o som tirado do movimento tem variação ou é dançante. Ele só quer fixar a porra do prego.
O marceneiro só que fixar o prego na madeira, ele não se importa se o som tirado do movimento tem variação ou é dançante. Ele só quer fixar a porra do prego.
Lixo.
Dizem que essa porcaria tocava nas favelas cariocas antes
de fazer sucesso. É mesmo? Só lamento pelas pessoas que foram expostas a essa porcaria.
Olha, isso está me fazendo achar que essa porcaria de
Funk carioca é invenção do governo para controlar o povo da favela e deixar no
“seu lugar”. Tipo: “você mora mal em uma comunidade (outra palavra que usam
para favela) sem esgoto, mas seja feliz, pois você dança e transa muito mais do
que tem esgoto em casa”.
É, para quem tem
poder de verdade não importa se tem
tráfico na favela e tem criança passando fome, eles querem é deixar o povo da
“comunidade” isolado. Mas isso não tem jeito, só se colocar uma bolha ao redor,
igual ao filme dos Simpsons.
Daí nos anos 80 teve Furacão 2000 e DJ Marlboro. Chamavam
hip-hop de funk nessa época, sei lá por quê. James Brown, o pai do Funk de verdade, não
concordaria.
Se a gente ouvir o Furacão 2000 do final dos anos 80, não
tinha nada a ver com essa merda que chamam de funk. Era hip-hop e R&B.
Ninguém aqui no Brasil sabe o que é R&B, mas é aquele negócio que Michael
Jackson e Whitney Houston cantavam. Sim, eles cantavam! Foram alguns dos
melhores vocalistas das últimas décadas. Ao contrário daquelas desafinadas
bundudas funkeiras.
Mas aí vem um intelectual com Mestrado e Doutorado, irmão
de um ícone do Rock Nacional, um carinha chamado Hermano Vianna, e faz toda a
mídia crer que aquela degeneração do hip-hop era legal. Dá a impressão de que é
bonito.
Em pouco tempo, criancinhas de 4 anos cantam funks
pornográficos com letras explícitas e fazem danças de atrizes de filmes
adultos, algo que deixaria pedófilos ficarem bem felizes. A Regina Casé aparece
com sua cara imensa e seu queixão dizendo que aquela pobreza musical é linda, e
todo mundo ama.
Em pouco tempo, essa porcaria se espalha para São Paulo,
onde adolescentes sem nada na cabeça inventam um troço chamado Funk Ostentação,
no qual gritam sobre o tal do tchu tchá tchá tchu tchá letras longas sobre
marcas e carros importados. Eles alugam carros de luxo, fazem uns vídeos,
compram views no youtube (isso é um lance que quem tem grana compra, mesmo).
Pagam de ricos, mas continuam bregas e pobres enquanto seus empresários,
verdadeiros urubus, embolsam pequenas fortunas.
Tudo lixo.
E aí as gravadoras vão enriquecendo, pois é muito mais fácil ganhar grana com o mau gosto das pessoas do que com o bom gosto, e os empresários sugam os pseudo-artistas até que não deem mais nenhum dinheiro, pois sempre há uma saturação. Tudo em excesso enche o saco.
E daí aparece um clone de Beyoncé chamada Anitta fazendo
Freestyle. Freestyle é legal e começou no final dos anos 80. Existe até hoje,
mas não vende tanto. É eletrônico, mas é melódico.
O empresário dela a coloca para imitar a Beyoncé, que
também canta R&B, e diz que aquele tipo de Freestyle é funk carioca. Mas
não é. É Freestyle fraquinho. Coloca um Noel ou um Stevie B no youtube e ouça.
É bom, Anitta não chega nem perto.
O troço é ruim, mas pelo menos, ela canta. As funkeira do
pornô music e mulheres-fruta não cantam. Elas só têm nádegas.
Empresários ganham milhões fazendo merdas e quem se ferra
é a gente, pois essa porcaria de tchu tchá tchá tchu tchá está em todo lugar e
sufoca. É imposto pela mídia, a Globo coloca no ar, a Regina Casé com seus
imensos dentes diz que todo brasileiro gosta, Hermano Vianna celebra a
estupidez da periferia (imposta por quem tem poder), e tudo vira um lixo. A música,
como melodia e ritmo, morre, o hip-hop perde o ritmo também, e, quando você vê, ninguém
mais se importa com música.
É isso aí. Não há espaço para música, mas há espaço para
pornografia.
Aí algum estudante de antropologia que ainda não se formou
aparece no facebook defendendo o funk e chamando os detratores desse lixo de
racistas e preconceituosos. Racista por quê? Preconceituoso por quê? É muito
fácil chamar alguém de preconceituoso, lançar uma pergunta no ar, e não
comprovar.
Cara, eu sou advogada. Para mim, você tem que provar que eu estou sendo preconceituosa ao odiar funk carioca. Qual a evidência de que sou preconceituosa ou racista? Aliás, qual a evidência de que todo mundo da periferia só pensa em sexo e músicas ruins? Nenhuma. Comprove, cara.
Eu sei o que é relativismo cultural e sei bem que o que falamos não tem nada disso. Eu não estou adotando uma postura “etnocêntrica” (antropólogos adoram essa palavra), então vá à merda!
Cara, eu sou advogada. Para mim, você tem que provar que eu estou sendo preconceituosa ao odiar funk carioca. Qual a evidência de que sou preconceituosa ou racista? Aliás, qual a evidência de que todo mundo da periferia só pensa em sexo e músicas ruins? Nenhuma. Comprove, cara.
Eu sei o que é relativismo cultural e sei bem que o que falamos não tem nada disso. Eu não estou adotando uma postura “etnocêntrica” (antropólogos adoram essa palavra), então vá à merda!
Ocorre que a periferia tem manifestações artísticas de
verdade que são sufocadas por esse lixo sonoro que está em todos os lugares.
Conheço rappers foda, gente de vários estados fazendo música ótima, mas
aí vem a mídia e os empresários e nos sufocam com as porcarias que eles
escolhem para investir.
Não interessa a
eles colocar um hip-hop ou um cantor legal para bombar. Olha, nem se a pessoa
da periferia ganhar o The Voice, como foi o caso da maravilhosa Ellen Oléria,
eles dão muito destaque. A Ellen Oléria, para quem não sabe, é nativa da
Ceilândia, maior cidade-satélite do DF.
Sei também de várias bandas punks das satélites e do
entorno do DF. Conheço bandas de Metal e de Rock puro e ninguém está nem aí
para elas. Não há nem lugar para o pessoal tocar.
É triste demais.
Esses czares milionários da música escolhem o que a gente vai ouvir e nos impõem lixo, ruídos com mulheres gritando. Nenhuma prostituta de rua consegue ser vulgar igual a essas criaturas.
E isso é triste, pois até crianças gostam disso. Aliás, são elas que mais gostam.
Triste demais.
Só para comparar, eu fui para a Polônia em uma excursão dessas de “classe média emergente da era Lula” e vi um moleque de uns 8 anos tocando Mozart na rua. Lógico que ainda não tocava bem, a mãozinha ainda não tinha segurança, mas era Mozart.
Qual o futuro da criança brasileira que faz danças pornográficas ao som de batidas repetitivas e gente gritando desafinadamente?
Não sei. Acho que não pode ser muito bom.